TAAG e Governo Provincial debatem assuntos da rota Cabinda-Luanda num dia marcado por protestos no Aeroporto Maria Mambo Café

A crise na mobilidade aérea na província de Cabinda, atingiu um novo pico de tensão esta terça-feira, 18 de agosto. Um grupo de mais de 40 passageiros provenientes de Luanda, que se encontra retido no Aeroporto Maria Mambo Café, realizou um ruidoso protesto nas instalações aeroportuárias para exigir o regresso imediato à capital, após o cancelamento do voo em que deveriam ter embarcado no último serviço do passado domingo.


O grupo de protestantes que deslocou-se a Cabinda em missão religiosa, juntou-se a dezenas de outros cidadãos que enfrentam a mesma situação de incerteza há alguns dias, dormindo em condições precárias no terminal de passageiros.

Com palavra de ordem "nós queremos viajar", a comitiva religiosa e os demais passageiros afectados exigiram uma resposta urgente da TAAG - Linhas Aéreas de Angola, criticando a falta de assistência, o défice de comunicação e a constante alteração das reprogramações dos voos.

"Viemos para uma missão religiosa e tínhamos regresso marcado para o último voo de domingo. O voo foi cancelado, ninguém nos dá uma solução concreta e estamos aqui retidos sem condições básicas", lamentou um dos passageiros que teme por sanções no trabalho, uma vez que o período de dispensa já está esgotado e regresso à Luanda continua a ser uma incerteza.

A situação no Maria Mambo Café reflecte o drama de centenas de cidadãos que, diariamente, acorrem ao aeroporto e às lojas de venda de bilhetes na esperança de conseguir um lugar para Luanda, num contexto marcado pela escassez de lugares e especulação nos preços praticados por agências intermédias.

Coincidindo com o dia da manifestação, uma delegação do Conselho de Administração da TAAG, chefiada pelo administrador para o Pelouro Comercial, João Nelson Vasconcelos, manteve um encontro de trabalho com o Vice-Governador Provincial de Cabinda para o sector económico, Francisco Chimbavo que representou a Governadora Suzana Abreu.

À saída da reunião, o responsável da companhia aérea nacional reconheceu a gravidade da situação operatividade e garantiu que a TAAG está a trabalhar num plano de contingência para acomodar os passageiros retidos.

"Foi um encontro frutífero e julga-se pertinente nesta nossa primeira visita. Cabinda representa uma rota altamente estratégica para a rede da TAAG, onde temos 28 serviços semanais. Era necessário fazermos este alinhamento com o Governo Provincial relativamente a alguns temas que temos tido ao nível da nossa frota, que neste momento está a ser recuperada", declarou Joelson Vasconcelos.

O administrador comercial da TAAG admitiu que as limitações na frota da companhia têm estado na base das constantes disrupções operacionais e dos cancelamentos que deixaram centenas de passageiros em terra.

Para estancar o problema e responder ao fluxo excecional de passageiros, a transportadora aérea adiantou que está a implementar medidas técnicas para mitigar o impacto dos cancelamentos através de um plano de gestão de disrupções para reacomodar os passageiros com voos cancelados nos serviços subsequentes.

Joelson Vasconcelos garantiu que há trabalhos em curso para repor a capacidade total da frota de médio curso e reduzir drasticamente os cancelamentos.

Quanto à especulação de preço dos bilhetes, o responsável assegurou que há igualmente um trabalho para regular o processo de venda de bilhetes através de agências de viagens parceiras, visando travar os preços diferenciados praticados no mercado paralelo.

"Um dos temas que nos trouxe aqui hoje é precisamente explorar as soluções com o Governo Provincial de Cabinda. Mas dar nota que a TAAG está muita atenta aos diferentes problemas". Assegurou.

Apesar da promessa de melhorias operacionais nos próximos dias, dezenas de passageiros permanecem nas instalações do Aeroporto Maria Mambo Café a aguardar pela confirmação dos voos extraordinários ou do encaixe nos horários regulares da companhia.