Falta de chuva ameaça produção de banana no município de Cacongo

Considerado o celeiro da produção de banana na província de Cabinda, o município de Cacongo enfrenta um ano agrícola atípico. A escassez de chuvas registada na última época lançou o alerta entre os agricultores locais, colocando em risco as projeções de colheita do produto.


A resposta à crise climática, no entanto, veio em forma de reinvenção através da diversificação massiva de culturas. António Luís Sango é um dos rostos dessa resistência.

A explorar uma propriedade de 120 hectares inteiramente sustentada por capitais próprios, o agricultor acostumado a colher 4 toneladas de banana, percebeu cedo que não podia ficar refém do produto e apostou na produção de hortaliças, citrinos e outras culturas de rendimento como café, cacau e palmar.

"A colheita de beringela e tomate já começou e os números são animadores", aponta, tendo já garantido o escoamento rápido da primeira colheita para os mercados da comuna de Massabi e da cidade de Cabinda.

A unidade agrícola de António Luís Sango emprega actualmente oito cidadãos, destacando-se a integração de mão de obra jovem e qualificada. É o caso de Paciência Joaquim, um jovem de 23 anos, formado em produção vegetal pelo Instituto Politécnico do Chiazi.

Apesar das boas perspectivas de colheita nas hortícolas, a rotina de quem desbrava a terra está longe de ser fácil. Para colmatar a falta de chuva, os agricultores de Cacongo encontram suporte nos sistemas de irrigação através de motobombas. 

Contudo, garantir o funcionamento diário dos equipamentos, tem sido uma dor de cabeça constante devido às dificuldades de acesso e aos custos do combustível.

O grito de socorro foi manifestado pelos António Luís e Luís Sungo que dizem enfrentar vários constrangimentos na compra do combustível junto das bombas e postos de abastecimento no município, sendo por isso, obrigados a recorrer aos revendedores que comercializam o litro a 1.000 kwanzas.

A viragem para as hortaliças obriga à adoção de novas metodologias de plantio, pelo que, algumas unidades agrícolas optam por mão de obra qualificada proviniente de outros pontos do país. 

É o caso da Unidade Agropecuário Anselmo Dumo que conta com 15 trabalhadores entre efectivos e eventuais, sendo dois são provenientes da província de Benguela.

Quanto ao apoio e acompanhamento técnico, os agricultores da região contam com o suporte técnico da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), da Secretaria Municipal da Agricultura, Pecuária e Pescas, com a promoção da Secretaria Municipal de Promoção do Desenvolvimento Económico.

Em entrevista exclusiva à Kutunga Mídia, o responsável do Desenvolvimento Económico, Edson Germano, avançou que secretaria municipal controla actualmente 30 cooperativas agrícolas reconhecidas e 38 unidades agrícolas independentes. Adicionalmente, existem 25 associações em fase final de legalização.