Tribunal condena líderes de falsa "Força de Intervenção" que burlava com promessas de emprego no MININT
O Tribunal da Comarca de Luanda condenou a cidadã Doroteia Domingos Correia Canhongo e mais dois cúmplices a um ano de prisão com pena suspensa, além do pagamento de emolumentos judiciais. A sentença surge após o desmantelamento de uma rede nacional que geria um esquema fraudulento de falsas promessas de ingresso nos órgãos do Ministério do Interior (MININT).
A suposta rede actuava sob o nome de "Força de Intervenção Comunitária" (FIC) e foi surpreendida pelas autoridades no município dos Mulenvos, em Luanda, durante uma formatura clandestina com instruções de ordem unida.
Dos 57 elementos que o Serviço de Investigação Criminal (SIC) levou a julgamento sumário, o tribunal decidiu absolver 54 cidadãos. Durante a audiência, o Ministério Público deixou cair as acusações mais graves por falta de provas robustas, nomeadamente: associação criminosa, extorsão e usurpação de funções militares e resistência às autoridades.
A condenação acabou por incidir essencialmente sobre a liderança da FIC pelo uso de designação, uniformes, patentes e sinais semelhantes aos das forças oficiais do Estado, artimanha utilizada para convencer as vítimas da legitimidade do falso recrutamento.
A alegada estrutura apresentava uma organização hierárquica bem delineada para dar credibilidade à burla. A rede era liderada por Doroteia Canhongo, que se autointitulava "Comissária-Chefe" e Presidente da FIC. A auxiliá-la directamente estava a sua filha, Eliana Doroteia Canhongo, que exercia as funções de Directora de Recursos Humanos da organização ilegal.
O esquema financeiro passava por valores aparentemente baixos, o que facilitava a adesão em massa de jovens desempregados. A FIC cobrava 5.000 Kwanzas no ato da inscrição e 2.000 Kwanzas como quota mensal obrigatória.
Em troca, os líderes prometiam a integração directa dos cidadãos no Serviço de Proteção Civil e Bombeiros. O SIC estima que as cobranças fraudulentas desta rede tenham lesado financeiramente milhares de cidadãos em várias regiões do país, que viam na FIC uma porta de entrada para a função pública.
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Sociedade
