Encontrados sete corpos de pescadores que estavam à deriva há mais de 15 dias no Tômbwa

Uma onda de luto e consternação abateu-se sobre a comunidade piscatória do município do Tômbwa, na província do Namibe. Uma operação de busca localizou os corpos de sete pescadores artesanais que faziam parte de uma tripulação de nove homens desaparecida desde o passado dia 2 de maio. 

Pescadores/Imagem da intranet
O cenário trágico relança o debate sobre a urgência de uma fiscalização mais apertada à atividade marítima, especialmente com a chegada do período de cacimbo.

A embarcação artesanal permaneceu mais de duas semanas perdida em alto-mar, enfrentando as correntes severas da costa sul de Angola antes de os primeiros restos mortais serem localizados.

Segundo o Delegado Marítimo do Tômbwa, Waldemiro Ganje, os sete cadáveres foram encontrados na zona costeira conhecida como Vanessa, já em estado avançado de putrefação devido ao tempo decorrido na água. Dois pescadores continuam oficialmente desaparecidos.

O responsável revelou que o grupo tinha como destino a faina na complexa região da Baía dos Tigres, tendo ignorado os alertas oficiais emitidos pelas autoridades de meteorologia.

"Naquela mesma semana nós tínhamos feito uma advertência formal sobre o mau estado do tempo, mas parece que não acataram as recomendações e, infelizmente, o desfecho foi desta forma trágica", lamentou o delegado marítimo.

A tragédia no mar do Tômbwa expõe um problema crónico na região: a falta de cuidados técnicos com a navegação e o desrespeito pelas normas básicas de segurança. Fontes locais apontam que a "apetência pelo lucro fácil" que empurra armadores e jovens pescadores a fazerem-se ao mar sob tempestades para garantir o sustento ou rendimentos imediatos tem ceifado dezenas de vidas jovens no Namibe.

Com a entrada da época de cacimbo, o mar nesta região torna-se extremamente agressivo, com ventos fortes e vagas altas. As autoridades reforçam que navegar nestas condições sem equipamentos de rádio funcionais, coletes salva-vidas ou motores auxiliares é um risco quase sempre fatal.