Papa Leão XIV defende em Luanda um modelo de desenvolvimento que não "discrimine nem exclua"

O Papa Leão XIV, no seu primeiro discurso oficial em solo angolano dirigido às autoridades e à sociedade civil, apelou à superação da "lógica extrativista" e à construção de uma sociedade baseada no diálogo e na justiça. O Sumo Pontífice, que se apresentou como um "peregrino da paz", iniciou a sua intervenção expressando proximidade às vítimas das inundações em Benguela e enaltecendo a corrente de solidariedade dos angolanos.


O Santo Padre alertou para a forma como o mundo tem olhado para as terras africanas, frequentemente com o intuito de "tirar algo" em vez de "dar algo". Segundo o Papa, é imperativo quebrar a cadeia de interesses que reduz a vida a uma "mera mercadoria".

"Quanto sofrimento, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais acarreta esta lógica extrativista", afirmou, sublinhando que este modelo de desenvolvimento alimenta a discriminação e a exclusão.

Leão XIV exortou à conversão daqueles que, por caminhos opostos ao bem e à justiça, impedem o desenvolvimento fraterno, criticando abertamente as "escravidões impostas por elites com muito dinheiro e falsas alegrias".

Um dos eixos centrais do discurso foi a necessidade de diálogo para superar a inimizade que dilacera o tecido social e político. O Papa propôs uma forma adequada de enfrentar os conflitos: aceitá-los e transformá-los no "elo de ligação de um novo processo".

Para os detentores de autoridade, o Papa deixou um apelo direto: Colocar o interesse colectivo acima de todas as partes, não confundindo a "parte com o todo"; reconhecer que "sem o outro, não há justiça" e que a unidade torna-se impossível quando se projetam confusões pessoais nas instituições.

O Sumo Pontífice definiu a alegria e a esperança do povo angolano como "virtudes políticas", capazes de resistir até às circunstâncias mais adversas. Alertou que tiranos e déspotas tentam tornar as almas passivas e os ânimos tristes, usando mecanismos para "exasperar, exacerbar e polarizar" a sociedade, semeando o desânimo e a desconfiança.

Ao concluir, o Papa incentivou o país a não temer as divergências nem extinguir os sonhos dos jovens e idosos. Reafirmou o desejo da Igreja em ser "fermento na massa", especialmente nas periferias e regiões rurais remotas, lutando para eliminar os obstáculos ao desenvolvimento humano integral.

"Que Deus abençoe Angola." - Papa Leão XIV