João Lourenço destaca papel social da Igreja e defende diálogo global em boas-vindas ao Papa Leão XIV
O Presidente da República, João Lourenço, recebeu oficialmente, esta tarde, o Papa Leão XIV no Palácio Presidencial, sublinhando que a visita do Sumo Pontífice é o reflexo de relações construtivas mantidas há décadas entre a República de Angola e a Santa Sé. Durante o seu discurso, o Chefe de Estado destacou o percurso histórico dos laços diplomáticos.
O Chefe de Estado angolano enalteceu a interação constante entre o Estado e a Igreja Católica, referindo que esta colaboração tem auxiliado o Governo na formulação de políticas em sectores como saúde, educação, habitação, energia e emprego. João Lourenço admitiu que o combate à pobreza e a melhoria da qualidade de vida dos angolanos são desafios complexos que exigem tempo e recursos, apelando a um "envolvimento mais construtivo" da Igreja na condição de parceiro social.
O Presidente citou a exortação apostólica Dilexit Nos, de Leão XIV, afirmando que o apelo do Papa para ajudar os discriminados e oprimidos serve de guia quotidiano na luta contra as desigualdades e a exclusão social em Angola.
João Lourenço reafirmou o carácter de Angola como um Estado laico, onde impera a liberdade de escolha e a convivência pacífica entre diferentes confissões. No plano das infraestruturas de fé, o Presidente destacou o empenho do Estado na dignificação de locais de peregrinação, apontando como exemplo a construção da nova Basílica de Nossa Senhora da Muxima.
O Presidente apresentou Angola como uma nação que consagra a resolução de crises pelo diálogo, princípio que tem moldado a diplomacia e as iniciativas de paz no continente africano. João Lourenço aproveitou a ocasião para criticar a "corrida desenfreada" às matérias-primas e recursos minerais através da força das armas, defendendo o cumprimento das regras do comércio internacional.
Sobre a instabilidade global, o Chefe de Estado expressou mágoa perante o sofrimento dos povos da Palestina, do Líbano e da região do Golfo Pérsico. João Lourenço apelou ao fim definitivo da guerra, a reabertura negociada do Estreito de Ormuz e ao estabelecimento de uma paz duradoura no Médio Oriente.
Ao encerrar o seu discurso, o Presidente angolano apelou à autoridade moral do Papa Leão XIV para que continue a atuar como um "construtor de pontes" e "apaziguador de espíritos", exortando os estadistas mundiais a garantirem que a justiça e o diálogo prevaleçam sobre o uso da força nas relações internacionais.
