FMI trava euforia de Moçambique e nega acordo para novo programa de apoio

O Fundo Monetário Internacional (FMI) veio a público esclarecer que, apesar do pagamento antecipado da dívida de 700 milhões de dólares (cerca de 630 milhões de euros) por parte de Moçambique, ainda não existe qualquer acordo para um novo programa de assistência financeira. O representante da instituição em Maputo, Olamide Harrison, foi perentório ao afirmar que o país "não reúne condições" imediatas para novo financiamento.


A declaração surge no rescaldo das Reuniões de Primavera em Washington, onde a delegação moçambicana, chefiada pela Ministra das Finanças, Carla Louveira, tenta capitalizar o gesto da liquidação da dívida para atrair novos apoios.

Segundo o FMI, a análise actual recai sobre os desequilíbrios internos e externos que o país ainda enfrenta. O Fundo exige "medidas urgentes" para emendar os desafios macroeconómicos antes de assinar um novo compromisso.

Olamide Harrison esclareceu que o FMI não exerceu pressão para o pagamento antecipado e que tal gesto não era uma pré-condição para negociar. O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou a liquidação como uma "decisão corajosa" que demonstra responsabilidade, tendo o país recorrido às suas reservas internacionais para o efeito.

Enquanto o porta-voz do Conselho de Ministros, Salim Valá, admite que o Governo está na "bitola" de um novo acordo, o sector empresarial moçambicano mantém uma postura expectante. Os empresários saúdam a recuperação da confiança internacional, mas alertam que o pagamento da dívida deve ser acompanhado por reformas internas que promovam um crescimento inclusivo e sustentável.