Editorial: A Circular de Cabinda será o fim do isolamento logístico do Porto do Caio?


Há pouco tempo, defendíamos nestas páginas que a grandiosidade do Porto do Caio corria o risco de se tornar um monumento à intenção, caso lhe faltasse o "tempero" essencial: a mobilidade. Argumentámos que uma infraestrutura portuária de águas profundas, sem vias de escoamento à altura, seria como um motor de alta potência instalado num chassi frágil. Hoje, o Despacho Presidencial n.º 133/26 surge não apenas como um documento administrativo, mas como o reconhecimento de que a logística é uma ciência de conectividade.

A aprovação da despesa para a construção da Circular Rodoviária Exterior de Cabinda é, acima de tudo, um ato de realismo económico. Ao projectar 40 quilómetros de estrada ligando o Sende ao Buco Mazi, com interligação directa ao Caio pela EN 100, o Executivo responde a um estrangulamento que este portal já havia identificado. Não se trata apenas de "aliviar o trânsito" citadino; trata-se de criar um corredor de exportação real.

A Circular Exterior é o cordão umbilical que faltava. Sem ela, o Porto do Caio seria uma ilha logística; com ela, torna-se um centro gravitacional para a carga da região.

O histórico deste projecto, que remonta a 2021 e passou pelo fracasso da "Marginal de Cabinda", ensinou-nos que em infraestruturas o tempo é um recurso escasso. Os quatro anos de fracasso entre a projeção inicial e o actual despacho custaram caro à dinâmica local. Contudo, o sinal dado pela Governadora Suzana Abreu em Setembro de 2025 e a rápida resposta presidencial em Abril de 2026 indicam uma nova cadência de urgência.

Para que o Porto do Caio atraia, de facto, as milhares de toneladas de carga dos países vizinhos, a Circular deve ser encarada como a espinha dorsal de Cabinda. Ela permitirá que o camião que sai do porto não precise de pedir licença à rotina da cidade para chegar à fronteira. É o crescimento urbano ordenado a dar as mãos à eficiência industrial.

O "tempero" foi finalmente adicionado à receita. Agora, aguarda-se o início dos trabalhos e, quando esse momento chegar caberá à sociedade civil e aos órgãos de fiscalização garantir que o cronograma não sofra os desvios do passado. Desde modo, o Porto do Caio estará pronto para ser gigante.