Secretário Provincial da Cultura em Cabinda defende descentralização e investimento no capital humano
O património histórico e cultural da província de Cabinda enfrenta desafios estruturais, com destaque para o estado de degradação do Museu Regional na zona do Maiombe e do anfiteatro, interditos há alguns anos, bem como outros marcos históricos.
Em entrevista recente ao Portal Kutunga Mídia, o Secretário Provincial da Cultura, Manuel Guilherme, manifestou profunda preocupação com a falta de manutenção e a escassez de recursos humanos no sector.
A infraestrutura do Museu Regional de Cabinda não recebe obras de restauro significativas desde 2014, o que gera um cenário de preocupação. Diante da nova divisão político-administrativa, o Secretário defendeu uma mudança na responsabilidade da gestão patrimonial.
Para Manuel Guilherme, as administrações municipais devem assumir a guarda do património nos seus territórios, com a Secretaria Provincial atuando na supervisão. A meta é que cada município possua o seu próprio acervo cultural ou "casa de cultura", evitando a dependência exclusiva do Museu Regional.
Espaços como o Cemitério dos Nobres e o local do Tratado de Simulambuco necessitam de políticas concretas de preservação para garantir o legado às futuras gerações, defendeu o responsável.
Um dos pontos mais críticos levantados foi o grave défice de funcionários. O Museu Regional, que deveria operar com 30 a 40 colaboradores, conta actualmente com apenas cerca de 10 funcionários oriundos da Secretaria Provincial, o que segundo o secretário, fragiliza o funcionamento da instituição.
A estagnação das peças expostas muitas sem renovação há décadas é atribuída à carência de especialistas e à falta de investimento na "formação do homem". O sector aguarda a abertura de concursos pelo Ministério da Cultura para suprir a falta de quadros técnicos, tanto no museu quanto na única biblioteca municipal.
Apesar das dificuldades, existe uma abertura para a colaboração com anciãos e autoridades tradicionais no interior da província para enriquecer o acervo museológico através do voluntariado. Contudo, o Secretário apontou a necessidade de uma nova mentalidade sobre a sustentabilidade econômica da cultura.
"Nós não estamos a valorizar o que é nosso. Os museus devem ter custos", afirmou o Secretário, sugerindo a implementação de taxas diferenciadas de visitação para estudantes, nacionais e estrangeiros como forma de gerar receitas para a manutenção das instituições.
O sector aguarda agora que as conclusões saídas do último conselho consultivo nacional sejam transformadas em ações práticas para alavancar a cultura na província e garantir que o vasto potencial inexplorado de Cabinda seja finalmente valorizado.
