Líder de seita religiosa detido na Huíla por abuso sexual de seis menores
O líder da "Igreja Ministério Internacional de Milagres", localizada no município da Palanca, província da Huíla, foi detido pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) sob a acusação de abusar sexualmente de, pelo menos, seis menores. As vítimas, todas integrantes do grupo coral da instituição, relatam um cenário de manipulação espiritual e violência.
De acordo com os depoimentos apresentados no "Programa Fala Angola" da TV Zimbo, o suspeito aproveitava-se de vigílias religiosas e momentos de escuridão para cometer os crimes. As vítimas descreveram diferentes táticas de abordagem: Uma das jovens relatou ter sido atraída por mensagens para um local isolado, onde foi forçada ao ato sob choque.
Outra vítima descreveu que, aos 16 anos, o agressor utilizava azeite e pretestos de "oração" e "transferência espiritual" para cometer os abusos. Relatos indicam que o suspeito aguardava as jovens na saída da casa de banho do seu escritório para as arrastar até zonas arborizadas próximas.
As jovens confessaram ter sentido medo de denunciar o caso anteriormente, pois o líder agia com uma aparência de "pessoa verdadeira" e utilizava versículos bíblicos de forma agressiva para garantir a obediência, aproveitando-se da fé das menores.
A Direção Provincial da Cultura na Huíla esclareceu que a referida seita religiosa não possui reconhecimento legal, funcionando totalmente à margem da lei. Durante a cobertura jornalística, a equipa da TV Zimbo foi alvo de tentativas de intimidação por parte de indivíduos no local, um dos quais chegou a ocultar uma arma branca ao perceber que estava a ser filmado.
O porta-voz do SIC na Huíla confirmou que o cidadão já se encontra detido na Comarca do Lubango. Sobre ele pesam os crimes de abuso sexual com penetração e assédio. A instrução preparatória do processo está na fase final, aguardando-se a acusação formal do Ministério Público nos próximos dias.
Especialistas locais recordam que a lei angolana prevê penas de 3 a 12 anos de prisão para crimes de penetração contra menores de 14 anos. Este é o segundo caso envolvendo supostos pastores detidos por crimes de natureza sexual registado este ano na província da Huíla.
