Queda de 60% no preço base do Cacau gera tensão rural na Costa do Marfim
O governo da Costa do Marfim fixou o preço de compra do cacau para a época intermédia em 1.200 francos CFA por quilo, representando uma queda drástica de quase 60% face ao recorde de 2.800 francos CFA registado na campanha principal.
Nas regiões produtoras, como Agboville, o cenário é de paralisia. O anúncio oficial funciona como um revés financeiro para os agricultores que retiveram stocks da colheita principal, esperando a manutenção dos preços altos. Com a nova tarifa, o cacau não vendido será agora negociado ao preço da "estação pequena", resultando em perdas de rendimento colossais para as famílias rurais.
A crise atual expõe a vulnerabilidade das economias da África Ocidental perante as flutuações das bolsas internacionais. O mecanismo de estabilização, criado para proteger os produtores, mostrou-se insuficiente para absorver a queda acentuada dos preços mundiais após meses de altas históricas.
Analistas do setor apontam que a reforma de 2012, embora tenha trazido transparência, não resolveu o problema estrutural da regulação de volumes. A discrepância entre o preço garantido e a capacidade real de escoamento das empresas exportadoras criou um "vácuo logístico" que agora penaliza o produtor final.
O clima nas zonas rurais oscila entre a resignação e a indignação. Especialistas alertam para o risco de tensões sociais, uma vez que as promessas de intervenção estatal podem colidir com a realidade financeira e logística do país. Para muitos produtores, o preço mais baixo é a única via para conseguir vender o produto rapidamente, mas a um custo social elevado.
