Guiné-Conacri: Governo dissolve 40 partidos e veta principais líderes da oposição
O governo de transição da Guiné-Conacri anunciou, na madrugada deste sábado, 7 de março, a dissolução imediata de 40 partidos políticos.
A medida atinge as três maiores forças da oposição e ocorre a menos de três semanas das eleições legislativas, locais e senatoriais agendadas para 24 de maio, mergulhando o país numa profunda incerteza política.
A decisão, oficializada pelo Ministro da Administração Territorial, Ibrahima Kalil Condé, visa diretamente figuras históricas da política guineense: RPG (Rali do Povo da Guiné) do ex-presidente Alpha Condé; UFDG (União das Forças Democráticas da Guiné) do ex-primeiro-ministro Cellou Dalein Diallo e UFR (União das Forças Republicanas) do ex-primeiro-ministro Sidya Touré.
O decreto implica a perda imediata da personalidade jurídica e o confisco de todos os bens destas organizações. O Executivo justifica a medida com o incumprimento de uma nova legislação de setembro de 2025, que exigia a atualização de estatutos e a comprovação de sedes em todas as províncias até 25 de maio.
A oposição reagiu com contundência, classificando a decisão como um golpe final no pluralismo democrático. Souleymane Souza Konaté, porta-voz da UFDG, afirmou que a medida visa o estabelecimento de um "partido único" e o silenciamento de vozes que representam a esmagadora maioria da população.
"Ao impedir que os atores políticos ajam legalmente, estão a forçá-los à clandestinidade, com todos os riscos que isso acarreta para a estabilidade", alertou Konaté, sublinhando o retrocesso nas liberdades fundamentais do país.
A Guiné é governada por uma junta militar liderada pelo General Mamadi Doumbouya desde o golpe de Estado de setembro de 2021. Embora as autoridades tenham prometido um retorno à ordem constitucional, a exclusão das principais forças políticas do escrutínio de maio levanta dúvidas na comunidade internacional sobre a transparência e a inclusividade do processo eleitoral.
Especialistas alertam que esta dissolução em massa, sem precedentes desde a introdução do sistema multipartidário na Guiné, poderá desencadear uma crise política duradoura e isolar o país diplomaticamente.
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