"Malembo não pode continuar no subdesenvolvimento", apela Dom Belmiro Chissenguete

A comemoração dos 40 anos da fundação da Paróquia Nossa Senhora de Lurdes de Malembo, celebrada este domingo, 11 de Outubro, foi palco de reflexão sobre a justiça social e o desenvolvimento económico local por parte do Bispo da Diocese de Cabinda, Dom Belmiro Chissenguete.


​Durante a missa de acção de graças, o prelado católico defendeu na sua homilia a necessidade imperiosa de traduzir a imensa riqueza natural da região marcada pela extracção de petróleo e gás em melhorias tangíveis para as condições de vida das populações locais.

​Reconhecendo a importância da recente elevação da zona a município de Tando-Zinze, Dom Belmiro sublinhou que a riqueza gerada na circunscrição não pode continuar a servir apenas as estatísticas macroeconómicas nacionais e internacionais enquanto os habitantes locais continuam a enfrentar carências estruturais.

​"O gás e o petróleo que saem daqui e alimentam inúmeras economias de todo o país e do mundo não podem continuar a passar diante dos olhos dos habitantes desta terra como simples recordação, mas deve ter também reflexos aqui neste município", declarou o bispo perante centenas de fiéis e autoridades do município de Tando-Zinze.

​Apelando directamente à sensibilidade das autoridades governamentais, o líder católico defendeu que a comuna de Malembo necessita de um plano de intervenção prioritário que rompa com o actual ciclo de isolamento e carências.

​Dom Belmiro Chissenguete destacou a necessidade de se melhorar as vias de acesso, bem como dotar a comuna de infraestruturas comerciais modernas, como supermercados, além de campos desportivos e espaços de lazer. Numa visão futurista, o homem de Deus lançou o desafio de transformar Malembo num ponto de atracção turística e económica de referência, aproveitando os recursos gerados internamente.

"Tal como hoje as pessoas viajam para o Dubai e outras partes do mundo desenvolvidas na riqueza daqueles povos, aqui também se tornaria um ponto de atracção para todos os povos, que aqui viriam para medirem o nosso desenvolvimento e tomar o nosso exemplo para novas propostas". Frisou.

O Bispo da Diocese de Cabinda reconhece a vontade do governo na melhoria das condições de vida das populações, mas sublinha que é preciso que esse desejo seja transformado é realidade.

"Precisamos levar esta palavra às nossas amadas autoridades, que naturalmente sentem este desejo e esta necessidade, e nós temos o dever de despertá-las para que não fiquemos no desejo, mas transformemos o sonho em realidade".

​Num tom de encorajamento à comunidade, Dom Belmiro Chissenguete lembrou que os habitantes não devem posicionar-se como "mendigos de favores", mas sim como cidadãos conscientes do seu papel na gestão dos recursos que a província e o país detêm.

​O bispo concluiu sublinhando que cabe aos cidadãos e governantes administrar com sabedoria os recursos divinos em benefício das presentes e futuras gerações, despertando a consciência colectiva para que os sonhos de progresso se tornem realidade efectiva.