Habitantes de Chimbuandi em Cabinda exigem estradas e rede móvel para evitar dependência à RDC
Apesar de contar com infraestruturas sociais básicas como uma escola primária, sistema de água e centro de saúde, a comunidade de Chimbuandi enfrenta dificuldades que condicionam o quotidiano das famílias locais. Em reportagem recolhida na localidade, os habitantes descreveram um cenário angustiante, sobretudo durante a época chuvosa, período em que a circulação rodoviária fica praticamente paralisada.
A maioria da população vive da agricultura de subsistência, mas a ausência de vias de comunicação eficientes estrangula a renda das famílias. Várias vezes os camponeses são forçados a percorrer quilómetros a pé até à zona de Subantando, município de Liambo para encontrar transporte para a cidade de Cabinda.
Segundo o cidadão Francisco Sebastião, cada passageiro paga o equivalente a 2 mil Kwanzas por viagem, valor acrescido pelo transporte de carga, ficando por vezes dias à espera de uma viatura.
"Ficamos aqui semanas a espera de transporte, mas nenhum carro aarece. As motorizadas acabam por ser o único refúgio de mobilidade e infelizmente, não dá para fazer o escoamento de produtos do campo." Lamentou.
O representante da coordenação da aldeia, Francisco Fernando, criticou a perda constante de produtos agrícolas no campo devido à impossibilidade de os escoar a tempo para os mercados da cidade.
Telecomunicações e o recurso à RDC no sector da saúde
Outra preocupação manifestada pelos habitantes, reside na total ausência de cobertura de rede de telecomunicações estável. Para contactar o exterior, os residentes de Chimbuandi precisam de se deslocar até à aldeia de Cinto Macanda ou utilizar redes estrangeiras, incorrendo em custos elevados.
A situação atinge contornos alarmantes no sector da saúde. Em caso de emergências médicas que exijam cuidados especializados, os habitantes afirmam que é mais rápido e viável recorrer aos serviços de saúde na vizinha República Democrática do Congo, suportando as taxas elevadas cobradas do outro lado da fronteira face à impossibilidade de transitar rapidamente dentro do próprio município.
Resposta da Administração Municipal
As preocupações levantadas pela comunidade de Chimbuandi já chegaram aos órgãos da administração local. Durante uma deslocação à zona por ocasião das celebrações do Dia da Mulher Rural, o Administrador Municipal Adjunto para a Área Técnica, Bernardo da Silva, assegurou que a administração está ciente dos desafios.
O responsável destacou os investimentos já realizados nos últimos meses, que permitiram reabilitar a escola primária local e erguer um sistema de abastecimento de água potável.
Em resposta aos apelos da população, Bernardo da Silva garantiu que a administração municipal de Cabinda tem agendadas para breve novas intervenções prioritárias, que incluem a reabilitação da residência dos professores, a melhoria do centro de saúde e a reabilitação da via de acesso para devolver a normalidade à circulação de pessoas e bens naquelas localidades.
