Terramoto na Colômbia: número de mortos sobe para 265 três dias após sismo devastador

Após o violento sismo de magnitude 7,4 na escala de Richter, o mais forte a atingir a Colômbia neste século, o balanço de vítimas continua a agravar-se. As autoridades confirmam agora a morte de 265 pessoas, num cenário onde a janela de tempo e a esperança de encontrar sobreviventes sob os escombros se começam a esgotar.


As cidades de Cali e Pereira viveram a terceira noite consecutiva de operações de salvamento. No terreno, equipas de resgate especializadas, auxiliadas por escavadoras, cães farejadores e voluntários incansáveis, esgotam os últimos esforços em busca de sinais de vida.

Com as perspetivas de resgate a diminuírem, as atenções viram-se agora para os cuidados médicos e logísticos. Os hospitais lidam com cerca de 3.500 feridos e os números oficiais apontam ainda para perto de 500 pessoas dadas como desaparecidas.

Apesar do luto e da destruição, o país tem testemunhado uma onda de mobilização ímpar. Milhares de colombianos estão a organizar-se para ajudar nas buscas, doar grandes quantidades de sangue para os feridos mais críticos e distribuir água e alimentos.

RFI por Cristina Matias, cidadã portuguesa radicada há 40 anos em Bogotá, que relatou a forma como a sociedade civil se uniu para levar bens essenciais aos que mais precisam num dos momentos mais difíceis da história recente do país.

A magnitude dos danos habitacionais é colossal: cerca de 11 mil famílias perderam as suas casas. O medo de réplicas e as falhas estruturais em edifícios que não ruíram totalmente levaram milhares de pessoas a passar as últimas três noites ao relento, nas ruas.

Em resposta à crise, o recém-eleito Presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, declarou o estado de emergência económica para agilizar a canalização de fundos e anunciou três dias de luto nacional em memória das vítimas.

No plano externo, o apoio financeiro de emergência já começou a ser desenhado. Os Estados Unidos comprometeram-se a enviar 15,5 milhões de dólares em assistência, enquanto a União Europeia anunciou uma contribuição solidária de dois milhões de euros para ajudar nas operações de recuperação e apoio humanitário.