Avaria em plataforma da Chevron na base das restrições de energia em Cabinda
Os constrangimentos no fornecimento de energia elétrica que afectam a província de Cabinda desde o apagão geral de segunda-feira, 10 de agosto, deverão estar totalmente ultrapassados nos próximos dias. A garantia foi dada pelo secretário provincial de Energia e Águas, Rafael Paca, após a resolução parcial de uma anomalia técnica na plataforma marítima Fox, operada pela multinacional Chevron.
O incidente comprometeu gravemente a pressão do gás enviado para a Central Térmica do Malembo. Em conferência de imprensa, Rafael Paca revelou que a central foi obrigada a operar temporariamente a diesel, o que provocou um défice brutal na produção: a capacidade instalada caiu de 110 Megawatts (MW) para apenas 35 MW.
Para salvaguardar os equipamentos e evitar um colapso total (blackout), a Empresa Nacional de Distribuição de Eletricidade (ENDE) e a Empresa Pública de Produção de Eletricidade (PRODEL) implementaram um rigoroso plano de cortes seccionados.
Como medida de mitigação, a Central Térmica de Santa Catarina foi acionada, injetando 5 MW adicionais para segurar os serviços essenciais.
Sistema em fase de estabilização
O alívio chegou na madrugada desta quarta-feira, altura em que a receção de gás começou a ser restabelecida. O director provincial da PRODEL, Jeferino Nguimbi, confirmou que três das quatro turbinas do Malembo já estão operacionais.
"Nesta altura, somando o contributo de Malembo e Santa Catarina, a capacidade actual de produção situa-se na ordem dos 55 Megawatts, valor suficiente para cobrir a procura da região", assegurou o responsável, sublinhando que os técnicos continuam a trabalhar para acionar a quarta turbina assim que a pressão do gás estabilize por completo.
Governo afasta cenário de dívida
Durante o esclarecimento aos jornalistas, o secretário provincial de Energia e Águas fez questão de desmentir as informações partilhadas nas redes sociais que justificavam o corte de gás com uma suposta dívida da ENDE à Chevron.
Rafael Paca classificou a informação como falsa, lembrando que a ENDE é apenas a entidade distribuidora e não a produtora. "O fornecimento de gás decorre de convénios nacionais entre o Ministério da Energia e Águas e o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás. Não há qualquer questão de dívida na base deste problema técnico", vincou o governante, apelando à serenidade da população enquanto se conclui a normalização da rede.
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