EDITORIAL: Salvação antes do funeral; Cabinda não pode deixar morrer a sua dignidade desportiva
É comum na nossa sociedade vermos pessoas a enfrentar doenças e graves problemas sociais sem que ninguém apareça para ajudar. Por falta de apoio e aconchego até de familiares, o pior acontece, a pessoa morre.
Só depois disso é que surgem os apoios para o funeral. É o triste fenómeno do "FUA BA TONDA", só valorizamos depois da morte.
Será isso o que esperamos que aconteça com o único representante de Cabinda na Liga Unitel Girabola?
Não estamos a falar apenas de futebol. Falamos do nome de uma província inteira, da honra da nossa gente, da memória dos nossos ancestrais (Makongo, Mangoio e Maloango) e do respeito pelo suor de jovens que sonham com uma vida melhor através do desporto.
Os últimos episódios que colocaram o Futebol Clube de Cabinda nas bocas do mundo não foram um golpe que atingiu apenas as balizas do clube ou os homens do futebol; atingiram, sem dúvida, a autoestima de cada cabindense.
Estamos no limiar de uma encruhszilhada perigosa. Se nada for feito agora, o choro envergonhado da primeira jornada não será um mero tropeço de início de época: será o prelúdio do funeral definitivo do desporto na nossa Tchiowa querida.
A responsabilidade por este cenário não pode continuar a ser empurrada de um lado para o outro. Este momento exige a convocação urgente de todas as sensibilidades da nossa sociedade.
Exige-se no entanto, o fim imediato da gestão do improviso. Administrar um clube na elite do futebol nacional requer rigor, planeamento e transparência. A paixão pelo desporto não pode continuar a servir de escudo para tropeços organizacionais, nem a falta dela ser desculpa para a inércia.
Um lembrete ao empresariado local: investir no futebol regional não é um ato de caridade; é um investimento na juventude, na visibilidade das marcas e na responsabilidade social. Abandonar a principal representação desportiva da província à sua sorte é fechar as portas ao impacto positivo que o desporto gera na economia e nas comunidades.
É também fundamental apelar à responsabilidade das autoridades da província. Sem substituir o papel dos gestores desportivos, cabe ao poder político o dever moral e institucional de assegurar que a juventude de Cabinda tenha infraestruturas dignas e condições mínimas para competir ao mais alto nível acelerando a entrega do Estádio do Tafe e criando pontes de apoio sustentáveis.
Aos adeptos, sócios e amantes do futebol em geral: a indignação é legítima, mas o abandono não é opção. Este é o momento de exigir reformas profundas na estrutura do futebol local, participando de forma crítica, activa e construtiva. Somos todos chamados a contribuir; as quotas fazem falta aos clubes, por isso, que tal não falharmos com essa missão?
Afinal, o futebol é dos poucos veículos capazes de unir uma região inteira num só grito de golo e no orgulho de ver uma grande jogada. Não podemos permitir que o cenário da primeira jornada transforme a nossa identidade em motivo de piada nacional.
KHOKO IMASIKA. É tempo de parar com as desculpas, reunir os intervenientes e salvar o que resta da nossa dignidade desportiva. Cabinda tem história, tem valor e tem pessoas capazes. Resta saber se teremos a grandeza de agir unidos antes que seja tarde.
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NOME: FUTEBOL CLUBE CABINDA
Categoria:
Editorial
