Clientes em Cabinda devem mais de 23 mil milhões de kwanzas à ENDE

A Empresa Nacional de Distribuição de Eletricidade (ENDE) em Cabinda tem a receber dos seus clientes locais uma dívida acumulada que já ultrapassa a fasquia dos 23 mil milhões de kwanzas. A informação foi avançada pelo director provincial da empresa, Ndongo João, que alerta que a falta de pagamento está a sufocar os investimentos e a manutenção do sector elétrico na região.


Em declarações à imprensa, o responsável explicou que a ENDE funciona como o "pilar financeiro" que sustenta as três cadeias do sector (produção, transporte e distribuição). O passivo, que se vem a avolumar há mais de cinco anos, compromete seriamente a capacidade de expansão da rede elétrica para as chamadas "zonas cinzentas", além de dificultar a cobertura dos custos operacionais e de recursos humanos.

O universo de clientes cadastrados pela ENDE em Cabinda é superior a 70 mil. Deste total, 45 mil estão inseridos no sistema de cobrança pós-pago, enquanto mais de 23 mil utilizam o sistema de pré-pagamento.

Questionado sobre a origem deste buraco financeiro, Ndongo João referiu que os maiores devedores são a população e que as instituições públicas representam quase 10%.

O responsável aproveitou a ocasião para minimizar a questão de eventuais dívidas da ENDE a fornecedores, sublinhando que as mesmas não assumem valores avultados e estão a ser devidamente geridas junto dos parceiros.

Para travar o crescimento da dívida, a direcção provincial apela aos consumidores para que regularizem a sua situação. "As dívidas são negociáveis", garantiu o diretor, convidando os clientes a deslocarem-se aos balcões de atendimento para encontrarem modalidades de pagamento ajustadas à sua realidade financeira.

No sentido de combater a abstenção e as dificuldades de mobilidade de muitos clientes, a ENDE decidiu inovar e levar os serviços directamente aos bairros. Segundo o responsável, a estratégia passa por evitar que o cidadão gaste o dinheiro que tem para liquidar a factura da luz em custos de táxi e transportes públicos.

"Estamos a levar as lojas móveis até aos bairros para facilitar os pagamentos", explicou Ndongo João sublinhando que a província já conta com duas destas unidades móveis a operar de forma descentralizada nos municípios de Liambo e Ngoio.