Adolescente usou ChatGPT para planear mortes antes de assassinar a mãe e o irmão nos EUA
Um adolescente norte-americano de 17 anos, acusado de cometer um duplo homicídio contra a própria mãe e o irmão mais novo, recorreu ao ChatGPT para procurar "ideias teóricas" e criar fantasias sobre a eliminação da sua família. O caso ocorreu na cidade de Acton, no estado do Massachusetts, e os contornos macabros da investigação foram avançados pela CNN Portugal.
Na passada quinta-feira, a defesa de Arjun Aravind apresentou uma declaração de inocência no tribunal. O jovem enfrenta acusações pesadas, incluindo duplo homicídio e violência doméstica agravada. As vítimas, a sua mãe, Sudha Venkatesan de 45 anos e o irmão, Siddharth Aravind de 14 anos, foram encontradas mortos na residência familiar após o pai ter solicitado à polícia uma verificação de bem-estar.
A revelação mais chocante do caso foi feita pela procuradora do condado de Middlesex, Marian Ryan. Segundo a CNN Portugal, a investigação apontou que o jovem apresentava comportamentos preocupantes recentes, com um forte pendor para o mundo digital.
O histórico clínico e comportamental do adolescente já alarmava a família, que tinha, inclusive, escondido todas as facas da casa. Na cena do crime, as autoridades encontraram um cenário de violência extrema, apreendendo um "portátil ensanguentado e bastante danificado", além de um utensílio dobrado com cabo laranja, presumivelmente a arma do crime.
O alerta foi dado quando um tutor se deslocou à residência para uma visita agendada e não conseguiu entrar. A polícia encontrou os corpos, mas Arjun já havia fugido ao volante do Honda Accord da mãe. O jovem acabou intercetado e detido no dia seguinte, na localidade vizinha de Wayland.
Debra DeWitt, advogada de defesa, apresentou uma versão peculiar dos factos, alegando que o adolescente apenas tomou conhecimento da morte da mãe e do irmão após ter sido capturado pelas autoridades. A advogada revelou ainda que a família se tinha mudado recentemente para Acton precisamente em busca de "um melhor sistema de apoio para as crianças".
A tragédia volta a colocar pressão sobre as gigantes tecnológicas. A OpenAI, criadora do ChatGPT, tem sido alvo de processos judiciais nomeadamente no estado da Flórida, onde é acusada de não possuir supervisão parental adequada, gerar dependência e encorajar comportamentos destrutivos ou suicidas em menores.
A empresa defende-se, afirmando ter implementado as políticas de protecção líderes no sector. Arjun Aravind encontra-se detido sem direito a fiança e foi obrigado pelo tribunal a submeter-se a uma avaliação psiquiátrica completa. A próxima audiência está marcada para o dia 11 de setembro.
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