Cacongo legaliza 167 mototaxistas e aperta o cerco à imprudência no trânsito
A actividade de mototáxi no município de Cacongo, na província de Cabinda, está sob novo enquadramento profissional. Numa acção promovida pela Administração Municipal no âmbito do Programa Integrado de Combate à Pobreza, 167 condutores acabam de receber licenças de condução e carteiras profissionais, após concluírem com êxito um programa intensivo de capacitação.
A acção de formação, que prevê abranger um total de 250 profissionais, prolongou-se por dez dias e esteve dividida em sete módulos teóricos e práticos. As matérias abordaram desde as normas do Código da Estrada e regras de conduta na via pública até ao transporte seguro de passageiros e noções de cidadania.
Os exames práticos de pilotagem decorreram no campo de Luvula e registaram uma taxa de aproveitamento de 100%. A cerimónia de encerramento da formação culminou com a entrega simbólica da documentação a cinco dos formandos.
Presidindo ao acto, o administrador municipal de Cacongo, Armando do Carmo, fez questão de sublinhar que a posse dos documentos legais não pode ser encarada como uma carta-branca para abusos na via pública.
"Não é pelo facto de terem hoje documentos e estarem habilitados que se vão tornar os únicos donos das estradas. Pelo contrário, isso traz-vos mais responsabilidade", advertiu o governante, sublinhando a proibição estrita do excesso de passageiros por motorizada.
Armando do Carmo expressou profunda preocupação com os índices de sinistralidade no município, lembrando que Cacongo figura no topo das estatísticas de acidentes com mototáxis ao nível da província de Cabinda.
Durante o seu discurso, o gestor público recordou tragédias recentes que abalaram a comunidade, como o atropelamento de crianças da Escola Faty Veneno, em frente ao edifício da administração, e o acidente na zona do Muba que resultou na morte de três jovens.
"Nós não queremos mais mortes nas estradas. Queremos todos os nossos jovens vivos a ajudar no desenvolvimento do nosso território, seja na pesca, na agricultura ou no transporte de passageiros. Todos têm a sua importância", enfatizou.
Para consolidar a organização da classe, a administração local anunciou que vai distribuir em breve coletes e capacetes com numeração correspondente à documentação de cada condutor legalizado. A medida pretende simplificar a fiscalização e eliminar a presença de condutores não habilitados a operar no município.
Falando em nome dos contemplados, o mototaxista Inácio Barros agradeceu o apoio institucional e garantiu que a classe está empenhada em mudar a imagem do sector, apostando numa condução defensiva e mais responsável.
