Bispo Dom Belmiro defende apoio das petrolíferas ao FC de Cabinda e oferece-se para fiscalizar as contas do clube
O Bispo da Diocese de Cabinda, Dom Belmiro Chissengueti, manifestou esta segunda-feira uma profunda tristeza e indignação perante a sufocante crise financeira enfrentada pelo Futebol Clube de Cabinda, o único representante da província no Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão (Liga Unitel Girabola).
Segundo uma notícia divulgada pela Rádio Ecclesia na voz do Jornalista Luís Lázaro, o prelado falava durante a homilia celebrada na capela do Paço Episcopal. Chissenguete, considera inaceitável que uma região com a abundância de recursos económicos deixe o seu principal embaixador desportivo à deriva, sem condições básicas de logística.
"Estamos confusos e tristes porque a nossa equipa de futebol, que fez tanto esforço para se apurar para o campeonato nacional, está com imensas dificuldades. Não consegue transporte, não consegue alimentação. Às vezes quando vai, é em condições extremamente difíceis", lamentou o Bispo, referindo-se aos recentes relatos sobre os constrangimentos vividos pelos atletas na deslocação ao Uíge para defrontar o Recreativo do Libolo.
Dom Belmiro direccionou o foco da sua intervenção para as empresas petrolíferas que operam na região, apelando a um compromisso real com a comunidade local no âmbito da responsabilidade social. O líder da Igreja Católica em Cabinda estabeleceu um termo de comparação direto com o modelo de financiamento de outros clubes emblemáticos do país.
"Será que de tanto petróleo que sai daqui não dá para tirar um pouco para a equipa que representa toda esta província? Empresas como a Cabinda Gulf Oil Company (Chevron), a Somoil, entre outras, não têm capacidade para sustentaruma equipa de futebol? Se o Petro de Luanda é subsidiado pela Sonangol, o Sagrada Esperança pela Endiama, e outros clubes pelas Forças Armadas ou pelo Ministério do Interior, por que razão as petrolíferas de Cabinda não conseguem fazer tal sustento?", questionou, defendendo que é chegada a hora de chamar as coisas pelo nome.
Exigência de transparência e oferta para o Conselho Fiscal
Se por um lado o Bispo de Cabinda clama pelo resgate financeiro da equipa, por outro estabelece como pré-condição inegociável, a organização interna e o controlo rigoroso dos fundos disponibilizados. Para afastar eventuais desvios na aplicação das verbas, Dom Belmiro colocou-se publicamente à disposição para integrar a estrutura de fiscalização do clube.
"Exigimos que haja uma organização interna que permita que os recursos alocados cheguem aos destinatários. Eu e certamente muitos outros cidadãos estamos interessados em integrar o conselho fiscal para que não haja desvios e os verdadeiros artistas da bola possam efectivamente ser os principais beneficiários do seu talento", frisou.
A intervenção da mais alta autoridade católica da província vem dar novo impulso à discussão pública sobre o financiamento do desporto em Cabinda, num momento em que o Futebol Clube de Cabinda luta para manter a dignidade e a competitividade na elite do futebol nacional.
