UNITA exige soluções práticas para acabar com a crise de combustíveis em Cabinda

O Secretário Provincial da UNITA em Cabinda Lourenço Lumingo, manifestou nesta quinta-feira, 02/07, em conferência de imprensa elevada preocupação, perante a contínua crise de escassez de combustíveis na província, responsabilizando directamente o Governo e a Sonangol pela falta de planeamento e pela ausência de respostas eficazes à população.


Na sua declaração o líder do maior partido da oposição na região classificou como "inadmissível" o facto de uma região com 70 anos de histórico de produção petrolífera submeter os seus cidadãos a longas e desgastantes filas nos postos de abastecimento, comprometendo a economia real e a mobilidade de taxistas e trabalhadores.

O ponto central das críticas recaiu sobre o impacto ou a falta dele da Refinaria de Cabinda. Inaugurada em Setembro de 2025 sob um investimento de 920 milhões de dólares, a infraestrutura foi apresentada com a promessa de garantir a autossuficiência da província em derivados de petróleo.

Contudo, o Secretário Provincial da UNITA alega que a realidade contraria o discurso oficial. "Infelizmente, de lá para cá, continuamos a exportar petróleo bruto e a importar derivados do nosso próprio petróleo", referiu o líder partido do Galo Negro em Cabinda, questionando para quem está a servir o produto refinado localmente, uma vez que a produção parece estar a priorizar a exportação em vez de estabilizar o mercado interno.

Lourenço Lumingo, denunciou a transformação dos postos de abastecimento em palcos de desespero. O político alertou para a necessidade de maior fiscalização das autoridades, perante a ação dos chamados "pambaleiros" (contrabandistas) que no seu entendimento recebem favorecimento nas bombas para adquirem grandes quantidades de combustível para venda ilegal nos países vizinhos.

A denúncia apresentada pelo político, refere que está em curso um esquema de corrupção aberto nas bombas, onde funcionários cobram subornos conhecidos como "direitos da mangueira". 

O esquema obriga ao pagamento de uma taxa ilícita de 1.000 kwanzas por cada bidão enchido, para além do custo do próprio combustível. Esta prática, acusa o político, favorece o contrabando em detrimento do cidadão comum, que chega a pernoitar na viatura sem garantia de conseguir gasolina ou gasóleo no dia seguinte.

A rematar a intervenção, o líder da UNITA em Cabinda exigiu soluções logísticas próprias e definitivas, nomeadamente a constituição de reservas estratégicas robustas e uma capacidade de armazenamento que previna ruturas.