Embaixador de Cabo Verde celebra 51.º aniversário da independência em Cabinda e anuncia retoma de voos diretos com Angola
As comemorações do 51.º aniversário da Independência Nacional de Cabo Verde tiveram como palco central a província de Cabinda. Num ambiente de confraternização que juntou dezenas de cidadãos da comunidade Cabo-verdiana residente em Cabinda membros do Governo Provincial, o Embaixador de Cabo Verde em Angola, Júlio César Freire de Morais, destacou os laços de amizade que unem a região ao arquipélago desde a década de 1940.
Dirigindo-se aos presentes, o diplomata referiu-se à diáspora radicada em Angola como a "11.ª ilha" de Cabo Verde, elogiando a sua perfeita integração e o seu papel activo como agente de desenvolvimento na sociedade e economia angolanas. Segundo revelou, embora os serviços consulares contabilizem entre 25 a 30 mil inscritos, estima-se que o número real de cabo-verdianos e descendentes no país seja quatro a cinco vezes superior.
A grande novidade da jornada incidiu sobre as relações comerciais e de mobilidade. O embaixador confirmou que o projecto estruturante de retoma dos voos diretos entre Angola e Cabo Verde está em fase avançada de viabilidade técnica.
"Estamos a trabalhar com o Governo Angolano para retomar a linha aérea direta, possivelmente com uma escala no oeste africano, esperando ter boas novas ainda este ano. Os dois Governos já decidiram pela retoma a título prioritário", assegurou Júlio César Freire de Morais, pedindo apenas "paciência" à comunidade até à conclusão dos estudos prévios.
Para além da conectividade aérea, a representação diplomática anunciou um conjunto robusto de medidas de protecção e integração social direcionadas à comunidade residente em Angola. Entre elas, a extensão da campanha extraordinária de atribuição de nacionalidade, agora alargada e aprovada até à terceira geração de descendentes.
No capítulo sociel, o Diplomata garantiu a duplicação do valor das pensões pecuniárias para os cidadãos mais carenciados e implementação de um programa de bolsas de estudo e acesso universitário para os jovens. Júlio César, assegurou que está prevista a revisão de baixar os custos para a emissão de passaportes a nível global e continuidade da campanha de legalização documental.
Numa análise ao contexto interno do seu país, o embaixador lembrou que Cabo Verde iniciou recentemente um novo ciclo institucional com o arranque da 11.ª Legislatura (2026–2031). Este novo capítulo, avança o Diplomata, coincide com a retoma do crescimento económico que culminou, em 2025, com a reclassificação do país para o escalão de "rendimento médio-alto".
Face aos desafios impostos pela actual conjuntura internacional aos pequenos Estados insulares, o diplomata defendeu a necessidade de "pensar fora da caixa" e transformar a diáspora num verdadeiro motor de desenvolvimento sustentável.
A cerimónia contou com a presença da Governadora Provincial, Suzana Abreu que à imprensa reafirmou o compromisso do Governo na criação de um ambiente seguro para a contínua integração da comunidade Cabo-verdiana residente em Cabinda.
A governante aproveitou o momento para destacar a boa convivência entre os dois povos irmãos que partilham histórias de longos anos e que estão internados não apenas pela língua, literatura e cultura, mas também pela ligação sanguínea.
"Temos pessoas muito ligadas de um lado e do outro, portanto são dois povos que convivem há muito tempo e numa interligação fenomenal." Frisou.
