UNITA critica assimetrias em Cabinda e denuncia falta de eficácia da Refinaria
O Secretário Provincial da UNITA em Cabinda, Lourenço Lumingo, presidiu neste sábado, 13 de Junho, à abertura da 1.ª Reunião Ordinária do Comité Provincial do maior partido da oposição. O encontro, que reuniu militantes dos dez municípios da província, serviu de plataforma para apresentar um manifesto de contestação à actual situação política, económica e social que a província atravessa.
Durante a sua intervenção, Lourenço Lumingo traçou um quadro crítico sobre a perda do poder de compra das famílias cabindenses, o desemprego juvenil e o domínio de interesses externos no pequeno comércio local, sustentando que a economia real da região está asfixiada pelo elevado custo de vida.
Um dos pontos mais acesos do discurso do dirigente partidário ligou-se ao sector energético. Lumingo classificou como "injusto e insustentável" o actual modelo de exploração de hidrocarbonetos e minérios na província. O político sublinhou o paradoxo de os cidadãos enfrentarem filas recorrentes para abastecer veículos numa terra rica em crude.
O Secretário Provincial direcionou também críticas à Refinaria de Cabinda, alegando que a infraestrutura, inaugurada há pouco mais de seis meses, continua longe de corresponder às expectativas criadas e não resolveu a dependência da importação de derivados de petróleo.
De forma paralela, denunciou a degradação da floresta do Mayombe devido à extração descontrolada de ouro e madeira, sem que os dividendos se reflitam em escolas, estradas ou hospitais para as populações residentes nas zonas de exploração.
No plano da saúde pública, a UNITA manifestou preocupação com o aumento de casos confirmados de varíola dos macacos (Mpox) na região. Lourenço Lumingo defendeu que o Governo Provincial deve acionar com urgência mecanismos mais robustos de rastreamento de contactos e vigilância epidemiológica, apontando a extensa linha de fronteira com a República Democrática do Congo (RDC) como um fator de risco acrescido. O partido propõe campanhas massivas de sensibilização em mercados, escolas e locais de culto.
Ainda no plano social, o líder partidário lamentou o estado de degradação das infraestruturas escolares no ensino de base, citando nominalmente as insuficiências vividas nos estabelecimentos de ensino de Chiweca, Mbaca, Palmerinhas de Lombo-Lombo e Zôngolo, caracterizados pela escassez de carteiras e falta de saneamento.
Para responder ao índice de criminalidade que afecta os bairros periféricos da cidade de Cabinda com destaque para Gika, Madombolo, Icaso e Liombo, a UNITA instou os órgãos de defesa e segurança a repensar a estratégia de protecção ao cidadão.
"Defendemos o reforço do policiamento de proximidade e a instalação de esquadras móveis nos bairros mais críticos. A segurança dos cidadãos deve constituir uma prioridade absoluta", vincou Lumingo, reafirmando que o partido manterá a sua agenda de fiscalização social e política junto das comunidades.
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Política
