Projecto "GEF-8 Maiombe" vai usar apicultura para mitigar conflito entre homens e elefantes em Cacongo
As linhas de intervenção da iniciativa de Conservação Integrada do Ecossistema Florestal do Maiombe, inserida no projecto GEF-8 Maiombe, foram formalmente apresentadas no município de Cacongo.
De acordo com informações divulgadas pelo Gabinete de Comunicação Social da Administração Municipal de Cacongo, o encontro foi liderado pela Coordenadora do Projecto, Alice Capita e serviu para alinhar as ações com as autoridades tradicionais, camponeses locais e representantes da sociedade civil organizada.
Financiado pelo Fundo Global para o Ambiente (GEF) no âmbito do seu oitavo ciclo de subvenções, o programa visa robustecer os mecanismos de conservação da Floresta do Maiombe, promovendo matrizes de subsistência sustentáveis para as famílias residentes e assegurando a integridade da biodiversidade através do envolvimento comunitário.
Um dos eixos mais sensíveis debatidos durante a apresentação prende-se com a mitigação do conflito entre o homem e a fauna selvagem, uma problemática recorrente que afecta as plantações agrícolas em várias aldeias de Cacongo.
Alice Capita esclareceu que, por se tratar do habitat natural da espécie, o foco não passa pela erradicação total da convivência, mas sim pela introdução de medidas técnicas de salvaguarda. A principal inovação anunciada assenta no fomento de projectos de apicultura comunitária nas franjas das lavouras.
Estudos científicos comprovam que os elefantes evitam áreas com forte presença de abelhas devido à sensibilidade ao zumbido dos insetos. Com esta técnica, o projecto alia a protecção biológica dos campos agrícolas à criação de uma nova cadeia de valor económica baseada na produção e comercialização de mel.
A par das barreiras naturais com colmeias, o GEF-8 Maiombe prevê a capacitação dos agregados familiares afectados e a distribuição de kits e equipamentos específicos para a emissão de sinais sonoros e outros métodos de dissuasão não letais, com o intuito de garantir a segurança de camponeses e peões.
O programa é executado directamente pelo Ministério do Ambiente, por intermédio do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC), contando com o suporte técnico de diversos parceiros de desenvolvimento. Ao longo dos seus 62 meses de vigência calendarizada, a iniciativa cobrirá também ações transversais de mobilização cívica e educação ambiental nas escolas da região.
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Sociedade
