Cyril Ramaphosa nega xenofobia na África do Sul em plena vaga de violência contra moçambicanos
O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, reiterou publicamente que os cidadãos sul-africanos não são xenófobos. A declaração surge numa altura em que o país enfrenta uma nova e violenta vaga de ataques de cariz xenófobo, que resultou na morte de pelo menos nove cidadãos moçambicanos e afectou directamente perto de 900 imigrantes na localidade de Mossel Bay.
O posicionamento foi assumido esta sexta-feira, em Pretória, durante uma conferência de imprensa conjunta com o Presidente do Quénia, William Ruto. Diante da escalada de tensão, Ramaphosa anunciou o envio imediato de emissários governamentais a vários países do continente para reforçar o diálogo diplomático sobre a gestão da migração.
"Os sul-africanos não são xenófobos. Os sul-africanos são africanos. Eles querem viver pacificamente com outros africanos e o nosso povo apela a nós, enquanto líderes, para resolvermos os muitos desafios associados à questão da migração", defendeu o estadista sul-africano.
Por sua vez, o Presidente queniano, William Ruto, aproveitou a ocasião para apelar à implementação de reformas estruturais na União Africana. Ruto sublinhou que a solução para a pressão migratória passa pela criação de oportunidades económicas e serviços básicos em todo o continente, reduzindo a necessidade de os cidadãos migrarem.
De acordo com as autoridades locais, os episódios de violência estão associados à campanha radical "March on March", que exige a expulsão forçada de cidadãos estrangeiros. Os incidentes não se limitaram a Mossel Bay, tendo sido registados saques a estabelecimentos comerciais de imigrantes na província do Cabo Oriental no início do mês.
A violência gerou uma crise humanitária na fronteira entre a África do Sul e Moçambique. A Autoridade de Gestão de Fronteiras da África do Sul confirmou que, até ao dia 3 de Junho, processou a saída de 933 cidadãos moçambicanos através do posto de Lebombo e Ressano Garcia. Entre os repatriados voluntários e deportados, centenas chegam a território moçambicano a relatar momentos de pânico, agressões físicas e incêndios provocados.
O Governo de Maputo confirmou que montou uma operação de assistência na fronteira de Ressano Garcia para acolher os primeiros contingentes de deslocados. Outros países, como a Nigéria, começaram também a coordenar a evacuação de cidadãos em situação de risco. Actualmente, estima-se que residam cerca de 300.000 moçambicanos na África do Sul, país que historicamente regista surtos cíclicos de violência contra comunidades imigrantes.
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