Ministério Público revela desvio de 300 milhões de kwanzas na gestão de ex-ministra Vitória de Barros Neto

O julgamento relativo à gestão da ex-ministra das Pescas, Vitória de Barros Neto, trouxe a público detalhes sobre o alegado desvio de 300 milhões de kwanzas destinados à capitalização da Edipesca Namibe em 2013. Segundo o Ministério Público, a verba foi redireccionada para Luanda e pulverizada entre consultores, empresas privadas e membros da Comissão de Gestão, sem qualquer fundamentação legal.


A acusação, apresentada pelo magistrado Lucas Ramos, detalhou como a verba mudou de destino, apontando que a ex-ministra terá justificado o redireccionamento dos fundos alegando que a Edipesca Namibe não tinha capacidade para absorver o valor.

Uma vez em Luanda, os fundos foram utilizados para despesas diversas, muitas sem relação com o objecto do projecto original. A lista inclui consultores do gabinete ministerial, empresas privadas e antigos gestores da Edipesca Luanda.

Um dos pontos mais específicos da acusação envolve os membros da antiga Comissão de Gestão: Rafael Virgílio, Ianga Salambe e o falecido Jaime Domingos. O grupo deliberou a compra de três carrinhas Ford Ranger com fundos públicos.

O valor total da compra foi de 11.995.200 kwanzas, custando cada viatura cerca de 3.998.400 kwanzas. Embora a compra tenha sido inicialmente justificada para uso institucional, os veículos foram posteriormente registados em nome pessoal dos gestores.