Sector da Cultura em Cabinda inicia ciclo de visitas às igrejas para reforçar o resgate da língua materna e da identidade local
A Secretaria Provincial da Cultura em Cabinda deu oficialmente início, neste domingo, 19 de Abril, a um programa de visitas institucionais às confissões religiosas da província. O objectivo central desta iniciativa, que se estenderá até Junho nesta primeira fase, é constatar in loco a realidade das comunidades de fé e promover uma agenda de resgate dos valores culturais.
Em entrevista exclusiva ao Portal Kutunga Mídia, o Secretário Provincial da Cultura, Manuel Guilherme, esclareceu que a acção surge como resposta a uma solicitação das próprias lideranças religiosas, feita durante um encontro no ano passado. "Uma coisa é termos a percepção documental e outra é a realidade in loco", sublinhou o responsável, destacando a necessidade de uma proximidade física com os locais de culto.
Um dos pontos fulcrais da agenda é o incentivo ao ensino e uso da língua local no seio das congregações. A Secretaria defende que a igreja deve ser um pilar na transmissão do "ABC da língua materna" às crianças, utilizando para isso os espaços de catequese e as escolas bíblicas.
"Se a Igreja primar por ensinar à criança a nossa língua materna, estaremos a cumprir com o que proclamamos sempre: resgatar, preservar e conservar a nossa identidade", afirmou o Secretário.
Questionado sobre a tendência de algumas igrejas rotularem práticas culturais como "feitiçaria", o Secretário foi categórico ao afirmar que este tema faz parte da agenda de diálogo. O governante defende que, embora a modernização seja bem-vinda, ela não deve significar a reprovação da cultura local.
Para o responsável, Governo e Igreja têm um objectivo comum: a formação de um cidadão íntegro. Contudo, essa formação deve respeitar a identidade angolana. "Não existe nenhuma cultura superior a outra. Temos de valorizar o que é nosso e passar de geração em geração", reforçou.
Relativamente à situação administrativa das confissões religiosas em Cabinda, o Secretário Provincial revelou que o cenário actual é de maior estabilidade e controlo.
Existem cerca de 80 igrejas controladas na província, das quais 11 operam como comissões instaladoras sob supervisão do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR).
Na vertente fiscalização, Manuel Guilherme referiu que uma equipa multissetorial mantém-se activa no encerramento de locais ilegais, mas sublinhou que o cenário está devidamente controlado.
O responsável clarificou que nenhuma "casa de oração" ou célula pode existir de forma isolada; todas devem estar obrigatoriamente filiadas a uma igreja reconhecida.
O Secretário Provincial da Cultura apelou ainda à população para que continue a colaborar através de denúncias, especialmente em bairros novos e áreas de grande densidade populacional, garantindo que a resposta do Estado será imediata para assegurar o cumprimento da lei e a ordem social.
