Dívida externa de Angola dispara mais de 100% e atinge os 6 biliões de Kwanzas
As contas públicas de Angola encerraram o ano de 2025 sob forte pressão. Segundo o mais recente Relatório de Execução do Orçamento Geral do Estado (OGE), divulgado pelo Ministério das Finanças, a dívida externa do país registou um aumento superior a 100% no último trimestre do ano passado, fixando-se em aproximadamente 6,03 biliões de kwanzas.
Um dado relevante do relatório indica que os novos desembolsos foram captados sem garantia de petróleo, sinalizando um esforço do Executivo em reduzir a dependência dos colaterais petrolíferos, embora o volume total levante sérios alertas sobre a sustentabilidade financeira a médio prazo.
O serviço da dívida o que o Estado paga entre capital, juros e comissões consumiu 5,12 biliões de kwanzas no período em análise. A distribuição dos credores revela uma dependência crescente do mercado com a seguinte distribuição: credores comerciais com 2,90 biliões de kwanzas (maior fatia); eurobonds com 1,83 biliões de kwanzas; dívida multilateral com 979,19 mil milhões de kwanzas, ao passo que fornecedores e dívida bilateral completam o restante do montante. Os encargos apenas com juros fixaram-se em 1,14 biliões de kwanzas, um valor que, por si só, supera o orçamento de muitos sectores sociais vitais.
Economistas ouvidos pela Rádio Correio da Kianda alertam para o "efeito asfixia". Com o aumento acelerado dos encargos, a margem do Estado para o investimento social (saúde, educação e infraestruturas) reduz-se drasticamente. O risco, segundo os especialistas, é a criação de um ciclo de dependência onde se contrai nova dívida apenas para pagar os juros da anterior, num contexto de desafios estruturais ainda por resolver.
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Economia
