EDITORIAL: A Festa da democracia na Ordem dos Médicos em Cabinda tem grito de fraude

As eleições para o Conselho Provincial da Ordem dos Médicos de Angola em Cabinda, realizadas na última sexta-feira, deixam um rasto de divisão que desafia a nova liderança antes mesmo da tomada de posse. Se por um lado os números oficiais conferem a vitória à candidata da Lista-3, Julieta Bongi, por outro, os bastidores revelam um cenário de "terror institucional", pressões políticas e uma aritmética eleitoral sob suspeita.


O KUTUNGA MÍDIA teve acesso aos comunicados dos candidatos derrotados, que desenham dois caminhos opostos para o futuro da classe:

A candidata da Lista-1, Carlota Tati (conhecida como a "CR7 do game") não poupou palavras ao descrever o pleito como uma "farsa planificada". Em comunicado contundente, a médica denuncia a introdução de 70 novos eleitores (médicos recém-formados) com o único propósito de desequilibrar o resultado a favor da "candidata da situação". 

A sua análise matemática é fria: sem esses 70 votos, o resultado inverteria a favor da Lista 1. Mais grave ainda são os relatos de sabotagem de viaturas, pressões familiares e a interferência direta de figuras do Governo e do Partido no poder, num processo que deveria ser estritamente profissional. Apesar desse posicionamento contundente, a candidata felicitou a vencedora.

Num tom diametralmente oposto, o candidato Gabriel Nionje optou pelo caminho da pacificação. Num gesto de "maturidade e posicionamento em defesa da democracia", o Especialista em Saúde Pública felicitou Julieta Bongi pela vitória que descre como "indiscutível", apelando aos colegas que rejeitem o clima de desordem. Para Nionje, o foco deve ser o lema: "Médicos unidos, mais fortes são".

A questão que se coloca é: como poderá a nova presidente unir uma classe onde metade dos seus pares se sente perseguida ou "vencida pela matemática e não pelo mérito"? O grito de fraude da Dra. Carlota Tati não é apenas um lamento de derrota; é um alerta sobre a saúde das nossas instituições.

Desejamos sucesso à Dra. Bongi, mas a sua maior cirurgia será, sem dúvida, curar a ferida da desunião que este pleito deixou aberta.