CICA denuncia envolvimento de "Igrejas no Crime" de branqueamento de capitais e cárcere privado

O Secretário-Geral do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA), Reverendo Vladimir Agostinho, lançou um alerta severo sobre o desvio de conduta de certas denominações religiosas no país. À saída de uma audiência com o Presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, o líder religioso denunciou o envolvimento de instituições de "fé" em crimes graves, incluindo o branqueamento de capitais e o cárcere privado.


Sem citar nomes específicos, Vladimir Agostinho apontou a proliferação descontrolada de seitas como o motor de um cenário que desestrutura famílias e vitima os mais vulneráveis.

Em declarações à Televisão Pública de Angola (TPA), o Reverendo detalhou práticas que chocam a opinião pública e exigem uma intervenção urgente das autoridades, relatando casos de crianças mantidas em cárcere privado e acusadas falsamente de feitiçaria, utilização de estruturas religiosas para a lavagem de dinheiro (branqueamento de capitais), para além de ensinamentos que promovem a divisão no seio familiar em vez da união cristã.

A audiência no Parlamento serviu para reforçar a necessidade de uma reforma nas normas de legalização de igrejas em Angola. O CICA confirmou que tem trabalhado em estreita colaboração com o Ministério da Cultura para desencorajar estas práticas desviantes.

"Vemos doutrinas desestruturando muitas famílias... por isso hoje na Casa das Leis, naturalmente abordamos estas questões", afirmou o Reverendo, sublinhando que a liberdade de culto não pode servir de escudo para a impunidade.

Analistas sociais defendem que o Estado angolano deve imprimir um rigor "de ferro" na fiscalização das confissões religiosas. A onda de atividades ilegais protagonizadas por certas denominações tem manchado a imagem das igrejas históricas e sérias, transformando locais de oração em centros de negócios obscuros e abusos de direitos humanos.