Angola encerra mandato no Conselho de Paz e Segurança da União Africana com foco na reforma e eficácia
O Embaixador de Angola na Etiópia e Representante Permanente junto da União Africana (UA), Miguel César Domingos Bembe, participou nesta segunda-feira, 30 de Março, no Programa de Indução de novos membros do Conselho de Paz e Segurança (CPS). O evento assinalou oficialmente o fim do mandato de dois anos de Angola (2024-2026) neste órgão crucial para a estabilidade do continente.
Durante a sua intervenção no Reino de Eswatini, o diplomata angolano apresentou um "caderno de encargos" para o futuro do órgão, defendendo que a eficácia da UA na prevenção de conflitos depende de uma coordenação interna mais robusta.
Miguel Bembe sublinhou a necessidade de transformar o CPS num órgão mais ágil e menos burocrático, sugerindo quatro eixos fundamentais: Melhoria dos métodos de trabalho e reforço das capacidades do secretariado; Aumento da capacidade de antecipação de conflitos através de análise prospetiva; Implementação de um sistema de acompanhamento sistemático para garantir que o que é decidido nos comunicados finais seja efetivamente cumprido; Melhoria da comunicação do CPS para que as populações africanas compreendam o impacto das suas decisões.
Angola assumiu o seu assento em Abril de 2024, cumprindo a sua quarta passagem por este órgão estratégico. O embaixador classificou o mandato como uma "verdadeira conquista", destacando a presença ativa de Angola na concertação continental.
Para a diplomacia angolana, a experiência no CPS (2024-2026) não foi apenas uma representação, mas uma oportunidade de moldar a arquitetura de paz em África, num período marcado por grandes desafios de segurança no Sahel e na região dos Grandes Lagos.
