"Já era tempo de uma cidade como a nossa ter uma rua dedicada a Dom Paulino Madeca", defende Bispo de Cabinda
A Diocese de Cabinda procedeu a inauguração do Centro Cultural Dom Madeca, infraestrutura criada em homenagem ao primeiro Bispo da diocese local, Dom Paulino Fernandes Madeca. O evento insere-se nas vésperas das celebrações do centenário do nascimento do prelado, cujo ponto alto terá lugar a 28 de Novembro, dando início a um ano inteiro de comemorações.
Durante a cerimónia o actual Bispo da Diocese de Cabinda, Dom Belmiro Chissenguete, abordou a importância da memória histórica, a toponímia local, a promoção das artes, a urgência da unificação linguística e a pastoral cultural.
Durante o seu discurso, Dom Belmiro Chissenguete sublinhou que a dedicação do centro cultural em nome de Dom Paulino Fernandes Madeca visa ajudar na perpetuação da sua memória, servindo de referência não só eclesiástica, mas também cultural e social para as gerações presentes e futuras.
Aproveitando a ocasião, o prelado católico defendeu firmemente que a cidade de Cabinda deve avançar na toponímia urbana, consagrando pelo menos uma rua com o nome do primeiro Bispo da Diocese local.
"Já era tempo de uma cidade como a nossa ter, pelo menos, uma rua dedicada a Dom Paulino Madeca, no âmbito da toponímia que tem sido trabalhada ao longo dos últimos tempos", afirmou o Bispo, ressaltando que a dedicação do novo centro cultural constitui um passo concreto para que as presentes e futuras gerações mantenham viva a memória da figura histórica do primeiro Bispo de Cabinda.
Agradecendo o apoio da Fundação BAI e a parceria que viabilizou a reabilitação do Salão Paroquial que agora é um espaço de manifestação cultural, o Bispo destacou que a partilha e a produção artística encontrarão ali um polo de dinamização. De acordo com Dom Belmiro, o centro pretende promover a identidade cultural do povo de Cabinda, projectando as suas raízes na montra do mundo.
O líder da Igreja Católica em Cabinda lamentou que, no passado, a rica produção artística da região carecesse de espaços próprios para exibição, realçando que a infraestrutura está aberta para que as comunidades locais possam projectar o seu presente e futuro para habitantes locais e visitantes estrangeiros.
Preservação linguística e unificação do Ibinda
Um dos momentos marcantes da intervenção centrou-se na defesa da língua como base identitária de um povo. Dom Belmiro Chissenguete alertou para a necessidade urgente de se alcançar um consenso académico sobre a língua nativa da região, de modo a criar uma base linguística unificada. Segundo o Bispo, esta união é vital para defender a identidade local face às "invasões silenciosas" de povos vizinhos mais poderosos.
Para Dom Belmiro, o centro cultural assume-se, assim, como um reduto de sobrevivência cultural onde ninguém deve sentir vergonha de falar, conhecer e amar a própria língua, seja nas casas, nas escolas ou nas igrejas.
Por fim, o Bispo de Cabinda lembrou que o empreendimento exige uma utilização cuidada e um profundo sentimento de gratidão para com os doadores. Sublinhou igualmente que a pastoral católica possui a tarefa multifacetada de aliar a transmissão dos valores do evangelho à valorização das culturas evangelizadas.
Chissenguete exortou por outro lado os agentes culturais a não estagnarem no passado, mas a criarem no presente para que a cultura de hoje construa a tradição de amanhã.
