Maternidade Provincial de Cabinda completa um ano com mais de 8 mil nados-vivos e 118 mil atendimentos

A Maternidade Provincial 1º de Maio de Cabinda assinala o seu primeiro aniversário após as obras de reabilitação, ampliação e apetrechamento. Numa entrevista concedida ao jornalista Simão Lelo - Rádio Mais Cabinda, o Director Geral da unidade sanitária, Alberto Tembo, fez um balanço dos primeiros doze meses de funcionamento da nova infraestrutura, destacando os avanços na assistência maternal e neonatal, a melhoria na capacidade de diagnóstico e os desafios inerentes ao défice de recursos humanos.


Reinaugurada em 15 de Setembro de 2025, pela Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, a unidade passou a funcionar com a categoria de Maternidade Provincial de segundo nível e capacidade para 120 camas. O director fez uma avaliação altamente favorável do percurso percorrido desde a reinauguração.

"O balanço é positivo. Realmente, queremos enaltecer todos os esforços, todas as conquistas que foram realizadas neste primeiro ano da maternidade, que é uma unidade que foi reabilitada, ampliada e apetrechada. Portanto, a nova maternidade tem uma capacidade de 120 camas e funciona com 273 trabalhadores."

No que respeita aos indicadores assistenciais do primeiro ano de actividades, os números refletem uma elevada procura pelos serviços da maternidade. A unidade sanitária registou durante o período 118.485 pacientes assistidos no universo total da maternidade e 48.531 pacientes atendidos nas consultas externas.

Com uma média A média de 20 a 30 partos por dia, registou-se 8.240 partos realizados com sucesso, dos quais 2.464 foram de cesarianas. nados-vivos e perto de 150 nados-mortos. A Maternidade Provincial de Cabinda realizou ainda perto de de 150 cirurgias ginecológicas para o tratamento de miomas e quistos.

Sobre as perdas fetais registadas, Alberto Tembo esclareceu que muitos casos envolvem pacientes encaminhadas em estado grave a partir de periferias ou de outros municípios.

"Tivemos algumas perdas de pacientes que foram transferidos de unidades fora do município-sede ou de centros de saúde que já chegaram em óbito ou com frequência cardíaca fetal negativa. Todos estes casos são transferidos para a maternidade para realizar o parto ou, havendo indicação, uma cirurgia para salvaguardar a vida da mãe."

Patologias mais frequentes e aumento das cesarianas

Durante a conversa, o especialista detalhou as complicações clínicas que mais desafiam a equipa médica no dia a dia da instituição. "As principais patologias que mais nos criam dificuldades na maternidade são as pacientes com hipertensão durante a gravidez, as pré-eclâmpsias, as eclâmpsias, as pré-eclâmpsias graves, as hemorragias pós-parto, os hematomas retroplacentários, as placentas prévias e os abortos."

Descodificando os quadros de hipertensão na gestação, o médico explicou que mulheres que apresentam cifras tensionais elevadas (iguais ou superiores a 140/100 mmHg) a partir das 20 semanas necessitam de acompanhamento rigoroso para prevenir complicações severas, tais como convulsões maternas ou a acumulação de sangue na cavidade uterina (hematoma retroplacentário), que colocam em risco a vida da mãe e do feto.

Questionado sobre a razão do elevado número de cesarianas realizadas, o director desmistificou que o procedimento esteja ligado à alimentação e atribuiu o aumento ao aperfeiçoamento técnico do corpo clínico, que conta actualmente com 8 médicos especialistas.

Alberto Tembo explicou que quando uma mulher vai para uma cesariana, significa que a capacidade de diagnóstico dos médicos melhorou.

"A maternidade agora funciona com 8 médicos especialistas. Muitas pacientes chegam com diversas complicações: eclâmpsia, tensões muito elevadas, posições viciosas (como pélvico ou transverso), rotura prematura de membranas, ou complicações no trabalho de parto em que primeiro sai um membro. Nesses casos, quando as manobras não resultam, temos de operar para salvaguardar a vida da mãe e do bebé."

Humanização dos serviços

No capítulo da humanização dos serviços de saúde, Alberto Tembo assegurou que o hospital tem registado melhorias significativas em relação ao passado, desde a recepção na porta de entrada até ao acompanhamento nas enfermarias. No entanto, apontou o incumprimento das normas de visitação por parte da população como o principal constrangimento operacional ao Gabinete do Utente.

Para mitigar este problema, a instituição tem desenvolvido ações contínuas de sensibilização e educação comunitária. Em relação a eventuais falhas profissionais ou erros de conduta, o responsável informou que a unidade dispõe de uma comissão de disciplina e aconselhamento interna, sendo os casos de maior gravidade remetidos para a Secretaria Provincial da Saúde.

Necessidade de pessoal e desafios futuros

Apesar dos ganhos operacionais, o défice de recursos humanos permanece como a principal lacuna da maternidade. Actualmente, a unidade conta com 273 funcionários, dos quais 143 são enfermeiros.

"Se conseguíssemos mais 100 técnicos distribuídos pelos vários serviços, teríamos uma resposta muito superior. A área com maior carência é a enfermagem. Temos equipas com 3 enfermeiros por turno onde deveriam estar 4, e quando alguém entra de férias o défice acentua-se."

O director frisou que estão a ser articulados esforços juntamente com a Secretaria Provincial da Saúde, o Governo Provincial de Cabinda e o Ministério da Saúde para preencher estas vagas nos próximos concursos públicos.