EDITORIAL: Imagens contam histórias em silêncio
Há fotografias que não pedem legenda. Valem por si mesmas porque conseguem sintetizar, num único segundo de luz e sombra, a complexidade de uma narrativa inteira.
Quando o enquadramento é feliz, a escrita torna-se quase um detalhe dispensável: o espectador olha, sente e compreende imediatamente. Nesta imagem, vemos a governadora de Cabinda, Suzana Abreu, a curvar-se diante dos populares na Praia dos Pescadores, durante a campanha de limpeza "Amigos do Ambiente".
Por que a destacamos? Estamos acostumados a ver os governados curvarem-se diante dos governantes, alguns por respeito excessivo, outros para demonstrar lealdade em tom de bajulação.
Esta imagem, porém, traz uma realidade diferente. Ela conta a história de um poder que escolheu descer do pedestal protocolar como forma de agradecimento e de reconhecimento de que não há governante sem governados.
O gesto da governante traduz o respeito pela comunidade pesqueira, a responsabilidade partilhada perante o meio ambiente e a dignidade do serviço público quando despido de solenidades desnecessárias.
Há fotografias que não precisam de explicações demoradas; precisam apenas de ser contempladas para que a história que carregam se fixe na memória de quem as observa.
Que o gesto de Suzana Abreu na Praia dos Pescadores não fique retido apenas como um enquadramento fotogénico, mas que sirva de matriz para um estilo de governação: aquele em que a verdadeira grandeza do poder não se mede pela altura do trono, mas pela humildade de se curvar para erguer a comunidade.
Governar é viver no mesmo ambiente dos governados, compreender e resolver os seus problemas. É assim que construímos um país próspero.
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