Cabinda e Muanda reforçam controlo sanitário na fronteira do Yema contra Ébola e Mpox
As autoridades sanitárias da província de Cabinda (Angola) e da região de Muanda (República Democrática do Congo) concertaram, nesta quarta-feira, 17 de Junho, um plano de contingência conjunto para mitigar a propagação de surtos epidemiológicos na região transfronteiriça. O encontro de urgência decorreu na zona de controlo sanitário do Yema, do lado congolês.
A cimeira técnica foi liderada pelo Secretário Provincial da Saúde em Cabinda, Rúben Buco, e pelo Responsável da Saúde de Muanda, Philippe Suela. Na agenda comum, as delegações priorizaram o debate em torno de quatro eixos do fórum sanitário regional: o controlo do Ébola, o combate à Mpox (Varíola dos Macacos), as metas de vacinação contra a Poliomielite e a erradicação da Doença do Sono (tripanossomíase).
O intercâmbio permitiu mapear com rigor os focos epidemiológicos que afectam as duas geografias, sendo que na República Democrática do Congo o foco principal de preocupação é o ressurgimento do vírus do Ébola.
Até ao momento, o país vizinho contabiliza mais de 800 casos confirmados distribuídos por três províncias, que resultaram em 192 óbitos e mantêm 363 pacientes em isolamento hospitalar estrito.
Em Cabinda (Angola), o desafio concentra-se no controlo da Mpox. A província já notificou um acumulado de 91 casos suspeitos, dos quais 25 testaram positivo laboratorialmente, encontrando-se nesta altura 17 casos activos sob isolamento e tratamento clínico especializado.
A necessidade de robustecer a triagem no posto aduaneiro do Yema e noutros eixos de transição foi o ponto consensual do encontro. Tecnicamente, a vulnerabilidade de Cabinda é acentuada, uma vez que nove dos dez municípios da província partilham descontinuidade ou linhas de fronteira direta com a RDC, nomeadamente: Miconje, Belize, Necuto, Buco-Zau, Tando-Zinze, Cacongo, Liambo, Cabinda (Sede) e Ngoio.
À saída da reunião, Philippe Suela, em representação de Muanda, enalteceu a cooperação bilateral. "Partilhamos estratégias importantes e decidimos que ambos devemos continuar a sensibilizar a população. O povo deve reconhecer que temos essa doença e nós continuar a trabalhar para proteger a todos", vincou.
Por sua vez, o Secretário Provincial da Saúde em Cabinda, Rúben Buco, tranquilizou a população local ao assegurar que, apesar de Angola apresentar taxa zero de infeções por Ébola, o Ministério da Saúde mantém activo o Plano de Contingência Nacional.
"Houve partilha de informações úteis que vão ajudar a criar uma melhor força para a prevenção e combate da varíola dos macacos, evitando a sua propagação no país, olhando para a nossa vasta fronteira", concluiu o governante, manifestando satisfação com os consensos alcançados.


