Sobe para 29 o número de vítimas mortais do desabamento de terras no Bengo com registo de 4 sobreviventes
As autoridades angolanas continuam as intensas operações de escavação e busca na aldeia do Mucunha, município do Nambuangongo (Bengo), na tentativa de localizar possíveis sobreviventes ou mais corpos após o violento deslizamento de terras numa mina ilegal de ouro.
O balanço oficial, avançado pelo porta-voz do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, subcomissário Wilson Baptista, aponta agora para 29 garimpeiros mortos e quatro sobreviventes resgatados com vida. O trágico incidente ocorreu por volta das 05h00 da madrugada de sábado (23), a cerca de 20 quilómetros da comuna de Kicabo.
O impacto humano da tragédia é devastador: 13 das vítimas mortais pertenciam à mesma família. Enquanto as equipas de resgate correm contra o tempo para remover os escombros e identificar eventuais desaparecidos, o caso já gerou fortes reacções políticas a nível nacional, com os partidos UNITA e PRA-JA Servir Angola a virem a público apresentar mensagens de condolências às famílias enlutadas.
O sinistro volta a expor as fragilidades e os riscos extremos da exploração mineira ilegal em Angola, uma actividade que continua a crescer em várias regiões do país à margem de quaisquer condições mínimas de segurança.
Embora a tragédia tenha tido lugar na província do Bengo, o cenário serve de espelho e de alerta máximo para a província de Cabinda. No município de Buco-Zau, o fenómeno do garimpo ilegal de ouro e outros minerais continua a ser uma dor de cabeça para as autoridades locais.
Apesar das constantes operações de combate, patrulhamento e sensibilização levadas a cabo pelas forças de segurança em Cabinda, muitos jovens insistem em embrenhar-se nas matas para a prática do garimpo. A perda destas 29 vidas no Nambuangongo acende o sinal vermelho em Buco-Zau, demonstrando que a falta de segurança nestes perímetros de exploração ilegal pode, a qualquer momento, transformar o sustento em tragédia.
Categoria:
Sociedade
