França declara fim da "era de influência" e aposta em aliança com África anglófona
O Presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou esta segunda-feira, em Nairobi, o fim definitivo da doutrina que via a África francófona como uma "zona de influência exclusiva" de Paris. Ao escolher o Quénia um país de expressão inglesa para acolher a conferência África Forward, Macron sinaliza uma mudança estratégica: a França quer agora uma relação "pan-africana", baseada no crescimento económico e menos na tutela política ou militar.
Durante uma conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo queniano, William Ruto, o líder francês foi enfático ao enterrar o passado da "Françafrique".
Eu nunca considerei a África francófona como uma zona de influência. Essa era terminou em 2017. Não quero que a França veja o continente como um lugar onde contratos estão garantidos ou onde Paris serve como um 'seguro de vida' para fazer ou desfazer governos, declarou Macron.
Macron justificou a nova abordagem com números. Segundo o governante, África é hoje o continente com o crescimento mais rápido do mundo superando ligeiramente o Sudeste Asiático no último ano e detém um "dividendo demográfico extraordinário" por ser o continente mais jovem do planeta.
A cimeira em Nairobi acontece num contexto de forte tensão diplomática. Entre 2020 e 2023, a França sofreu um corte severo de relações com Mali, Burkina Faso e Níger. Os três países do Sahel, atualmente liderados por juntas militares, expulsaram as forças francesas dos seus territórios.
Nenhum representante destes Estados marca presença no Quénia. Macron comentou a situação do Mali, afirmando que a junta militar "não tomou a melhor decisão" ao expulsar as tropas francesas, dadas as ameaças de segurança na região.
A parceria com o Quénia é apresentada como o modelo para esta relação "refundada". Atualmente, operam no país 140 empresas francesas. Como prova de confiança económica, o grupo francês CMA CGM assinou um protocolo de 700 milhões de euros com as autoridades quenianas para o desenvolvimento de infraestruturas logísticas e de transportes.
Após concluir a visita ao Quénia na terça-feira, onde mantém encontros com a sociedade civil e líderes africanos, Emmanuel Macron seguirá para a Etiópia na quarta-feira, reforçando o foco da diplomacia francesa no leste africano.
Categoria:
Mundo
