ENTREVISTA: ISCED-Cabinda em adequação de padrões para recuperar acreditação e receber novos estudantes em Agosto

O Presidente do Instituto Superior de Ciências da Educação de Cabinda (ISCED-Cabinda), Gabriel Ndele, garantiu, em entrevista ao portal Kutunga Mídia, que a instituição está a trabalhar com toda a responsabilidade para garantir o regresso de novos estudantes no próximo ano académico, após um período de interregno forçado pela não acreditação dos seus cursos.


A instituição, uma das mais tradicionais na formação de professores na região, vive um momento de profunda transformação estrutural e pedagógica para se adequar aos novos padrões de qualidade exigidos pelo Ministério do Ensino Superior.

O Impacto da Avaliação Negativa

A implementação do sistema de qualidade no Ensino Superior em Angola, alinhada ao Plano de Desenvolvimento Nacional, trouxe desafios sem precedentes. Para o ISCED-Cabinda, o ponto de viragem ocorreu em outubro de 2024, com a visita de avaliadores externos. O resultado, tornado público em fevereiro de 2025, foi um golpe para a comunidade académica: os seus cursos de licenciatura não foram acreditados.

"Infelizmente, por razões de vária ordem, os nossos cursos não foram acreditados", revelou Gabriel Ndele. O Presidente não se esquivou à responsabilidade, admitindo que o "quadro sombrio" resultou na impossibilidade de receber novos estudantes no último ano, uma decisão que visou proteger a integridade do sistema de ensino, mas que trouxe "tristeza" à instituição.

"Tem sido uma tristeza ver o ISCED, sobretudo no período matinal, sem estudantes do primeiro ano. Não inscrevemos novos alunos por influência dessa avaliação negativa", confessou o Presidente, sublinhando que a infraestrutura foi o factor que mais penalizou a instituição.

Reabilitação das Infraestruturas 

A condição infraestrutural foi o factor que mais penalizou o ISCED-Cabinda na avaliação anterior. Hoje, a instituição transformou-se num estaleiro de obras. Gabriel Ndele explica que as intervenções visam a adequação aos padrões internacionalmente aceites.

"Estas obras têm exatamente a ver com a adequação aos 11 indicadores exigidos. O apoio do Governo tem sido significativo, sobretudo na melhoria da condição infraestrutural", afirmou. O objectivo é solicitar a reavaliação dos cursos de graduação com a certeza de um parecer positivo, uma vez que uma segunda falha, poderia ditar a descontinuidade definitiva dos mesmos.

Situação da Pós-Graduação

Enquanto luta para recuperar as licenciaturas, o ISCED-Cabinda mantém outra frente aberta: a avaliação dos cursos de pós-graduação. O processo, que deveria ter ocorrido entre 27 e 30 de abril, foi adiado devido a dificuldades logísticas na transportação dos avaliadores externos. Apesar do contratempo, a instituição mantém-se em estado de prontidão para receber a equipa e validar os seus mestrados e especializações.

O Mapa dos Cursos

Gabriel Ndele detalhou a actual oferta formativa, composta por sete cursos de licenciatura distribuídos por três departamentos, sendo: Letras e Ciências Sociais que superintende os cursos de Língua Portuguesa, Língua Inglesa e História; Ensino Pré-Escolar e Primário que controla os cursos de Educação de Infância e Ensino Primário e o departamento de Ciências da Natureza e Exatas que integra cursos de Biologia e Matemática.

O Presidente recordou ainda o encerramento dos cursos de Pedagogia e Psicologia, uma decisão estratégica do Ministério de Superintendência devido à disparidade entre a oferta e a procura. "O Ministério acautelou essa situação e todos os cursos que tinham problemas de empregabilidade foram descontinuados, dando lugar aos cursos de Ensino Primário e Educação de Infância", explicou.

Empregabilidade e o "Feedback" do Mercado

Apesar das dificuldades de acreditação, o prestígio dos formados pelo ISCED-Cabinda permanece sólido no mercado de trabalho. Gabriel Ndele destaca que o instituto é "a instituição que mais emprega" na região, servindo como o principal viveiro de quadros para o Ministério da Educação. Só no curso de Língua Portuguesa, a instituição já formou mais de cento e cinquenta lincenciados desde 2016 que lançou os seis primeiros formandos na área.

Embora a aceitação seja historicamente boa, o Presidente revelou planos para o futuro próximo: "Estamos a pensar em fazer um estudo formal para termos dados reais sobre a qualidade do serviço prestado pelos nossos formandos, mas o feedback informal é extremamente positivo".

Apelo aos Candidatos 

Finalizando a entrevista, Gabriel Ndele dirigiu-se diretamente aos jovens candidatos. Reconheceu que é difícil pedir calma quando sonhos estão em jogo, mas reiterou o compromisso institucional de figurar na lista de instituições autorizadas a abrir vagas em agosto.

Contudo, deixou um aviso importante sobre as regras de acesso: "Ninguém entra sem fazer prova de Língua Portuguesa e é necessário cumprir a média de 12 valores. Vemos muitos certificados com médias abaixo disso, o que inviabiliza o ingresso", alertou.

Fica o compromisso público: estamos empenhados para que no próximo ano académico possamos receber novos estudantes. Confiem em nós; somos uma instituição séria e não permitiremos que este quadro se repita.