Director da OMS em Kinshasa no arranque de testes de vacinas contra o Ébola
O director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, aterrou nesta quinta-feira à noite na capital congolesa, Kinshasa. Segue-se, este sábado, uma deslocação à província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo (RDC), actual epicentro da epidemia de ébola.
"Apesar de a situação ser complexa, acho que podemos acabar com isso", declarou o responsável da OMS. Numa mensagem partilhada na rede social X, garantiu ainda que os congoleses "não estão sozinhos".
A OMS anunciou recentemente que os seus grupos consultivos recomendaram ensaios clínicos para várias vacinas e tratamentos potencialmente eficazes contra a estirpe Bundibugyo do vírus ébola, actualmente em circulação e para a qual, de imediato, não existe tratamento.
Por seu lado, a agência sanitária da União Africana assegurou que "até ao final de 2026, haverá uma vacina e um medicamento contra o Bundibugyo". Outro motivo de esperança foi a confirmação, pela OMS, de que um paciente na RDC recuperou, recebeu alta hospitalar e pôde voltar para a sua comunidade após dois testes negativos. Esta foi a primeira pessoa admitida num centro de cuidados a regressar a casa desde o início do surto.
De acordo com os últimos dados fornecidos pela Agência de Saúde da União Africana, a epidemia já provocou 246 mortos em mais de 1.000 casos suspeitos registados desde 15 de Maio, data em que o surto foi oficialmente declarado.
As autoridades sanitárias internacionais alertam que a real dimensão da epidemia ainda é desconhecida e que os balanços estão provavelmente subestimados. Isto deve-se, sobretudo, à fraca capacidade da RDC em efectuar testes laboratoriais para confirmar os casos de transmissão.
No entanto, as regiões mais atingidas, como Ituri e o Kivu (Norte e Sul), são flageladas pela violência de grupos armados, onde milhares de deslocados internos se amontoam em condições sanitárias extremamente precárias, dificultando medidas de resposta ao surto.
Para além da RDC, o Uganda também já registou casos. De acordo com os últimos dados oficiais, foram contabilizados mais dois infectados, elevando para nove o número total de pessoas contagiadas no país, entre as quais uma acabou por morrer.
Angola integra a lista de países onde a OMS considera que existe um risco "elevado" de contágio por proximidade geográfica e fluxos migratórios, juntamente com o Uganda, Sudão do Sul, Ruanda, Tanzânia, Etiópia, Congo-Brazzaville, Burundi, República Centro-Africana (RCA), Zâmbia e Quénia. A nível mundial, o risco permanece baixo.
Mesmo com o risco global contido, os Estados Unidos que já proíbem a entrada no seu território de viajantes vindos dos países de risco tentaram instalar no Quénia um centro de quarentena para cidadãos americanos que possam ter sido expostos ao vírus. O Quénia não registou oficialmente nenhum caso da doença.
As autoridades americanas planeavam abrir o centro ao abrigo de um acordo de cooperação em matéria de saúde assinado entre os dois países em Dezembro passado. Apesar da forte polémica e contestação popular que a medida desencadeou, o governo queniano manteve-se praticamente em silêncio sobre o assunto.
Contudo, numa decisão in extremis, a justiça do Quénia proibiu o governo de permitir a instalação do polémico centro em solo nacional.
Desde que o vírus do Ébola foi identificado pela primeira vez em 1976, na mesma região do continente, a doença já provocou a morte de mais de 15 mil pessoas em África.
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