Detidos jovens que simularam desaparecimento de órgãos genitais em Cabinda
As autoridades policiais da Delegação Provincial do Ministério do Interior em Cabinda detiveram, nesta quinta-feira (14 de maio), quatro cidadãos com idades entre os 19 e 21 anos. Os jovens são acusados de simulação e disseminação de notícias falsas nas redes sociais sobre o suposto desaparecimento de órgãos genitais masculinos nos bairros Povo Grande, São Pedro e Santa Catarina.
A operação policial surge após a viralização de vídeos que geraram pânico na região. Segundo as autoridades, a propagação destas informações infundadas resultou em consequências graves, sendo que dois cidadãos foram vítimas de agressões físicas após serem falsamente acusados de práticas de feitiçaria relacionadas com os supostos desaparecimentos.
Entre os detidos está um jovem conhecido como "Papy", que admitiu ter inventado a história por impulso. Ele confessou ter acusado injustamente uma cidadã de nacionalidade congolesa com quem se cruzou na via pública, alegando ter sido levado pela emoção do momento e pela influência de relatos semelhantes que circulam noutras regiões do país.
Outro implicado apresentou uma justificativa insólita, reconhecendo que o seu órgão genital teria apenas encolhido devido ao frio. O jovem aproveitou a ocasião para pedir desculpas ao cidadão que acusou e apelou a que outros jovens não partilhem informações falsas na internet.
Entre as vítimas da histeria colectiva gerada pelas notícias falsas está a vendedora ambulante Silvy Nzinga. A cidadã de nacionalidade congolesa foi alvo de agressões após ser injustamente acusada de "roubar" o órgão genital de um dos jovens agora detidos.
O incidente ocorreu quando um dos implicados tocou na mercadoria que Silvy transportava. Ao pedir ao jovem que tivesse cuidado com os bolinhos na sua marmita, a vendedora foi surpreendida por uma reação agressiva: o suspeito começou a gritar que ela lhe teria retirado o órgão genital. O alerta precipitado atraiu populares que, acreditando na versão do jovem, deram início às agressões físicas contra a mulher.
O Inspector-Chefe de Migração, José Puna, Director de Comunicação Institucional e Imprensa da Delegação Provincial do Ministério do Interior, desmentiu categoricamente a existência de qualquer caso real de retirada de órgãos na província e reforçou a necessidade de vigilância contra a desinformação.
"Queremos tranquilizar a nossa população de que não existe esta suposta retirada de órgãos genitais masculinos. Apelamos a todos os cidadãos a não enveredar nessa prática de disseminação de falsas informações, sob pena de responsabilização criminal," alertou.
Os quatro detidos já foram encaminhados ao Ministério Público para o devido processamento legal. As autoridades continuam a monitorizar as redes sociais para identificar outros focos de instabilidade baseados em relatos fictícios.
