Operadores de Transportes Públicos em Cabinda acusados de boicote à mobilidade urbana
O sector dos transportes na província de Cabinda enfrenta um clima de tensão após denúncias de boicote por parte de operadoras privadas. O Secretário Provincial dos Transportes, José Custódio, afirmou nesta segunda-feira, 06 de abril de 2026 que as operadoras desativaram, de forma isolada, os sistemas de monitoramento e de bilhética eletrónica instalados nos autocarros.
O sistema de bilhética, implementado em novembro de 2024 com o lançamento do passe GiraMais, visava garantir maior transparência e controlo do fluxo de passageiros. Na altura, a adesão foi obrigatória para todas as empresas que operam na região.
Contudo, passados mais de um ano, o cenário é de retrocesso: Operadores são acusados de desligar deliberadamente os equipamentos de bilhética e monitoramento. A Secretaria Provincial dos Transportes destacou que o Governo Provincial investiu na formação gratuita de 207 funcionários do sector privado para operar estas tecnologias.
O responsável do sector, reforçou ainda que o centro operacional dispõe de internet e servidores activos em cada operadora para o acompanhamento em tempo real, mas os sistemas permanecem inoperantes nos veículos.
Durante uma visita à Secretaria dos Transportes, a Governadora Suzana Abreu expressou profunda preocupação com a eficiência do serviço público. A governante exigiu o cumprimento rigoroso das rotas estabelecidas e anunciou a abertura de uma investigação para apurar as reais motivações das operadoras para a desativação dos sistemas.
Actualmente, a rede de transporte urbano de Cabinda é composta por 9 empresas operadoras, 30 autocarros em circulação e um total de 8 rotas estratégicas estabelecidas para servir a população, mas apenas uma rota é funcional (Pio-Cabassango).
Para tentar resolver o impasse, o Governo Provincial planeia uma reunião tripartida. Foi solicitado o deslocamento de técnicos da Empresa Nacional de Bilhética Integrada à província para um encontro com as autoridades locais e os representantes das empresas transportadoras, visando repor a legalidade e a funcionalidade do serviço.
Esta situação de divergência agrava as dificuldades de locomoção dos cidadãos, que se veem obrigados a esperar horas por transporte público enquanto os meios disponíveis permanecem aglomerados na rotunda do Pio.
O desrespeito pelas rotas designadas e a desativação dos sistemas de bilhética eletrónica, apesar dos investimentos governamentais em formação e infraestrutura, colocam em causa a eficiência da mobilidade urbana em Cabinda.
Perante este cenário de aparente boicote, a abertura de uma investigação e a convocação de uma reunião tripartida com a Empresa Nacional de Bilhética Integrada surgem como passos decisivos para tentar repor a legalidade e garantir que os operadores cumpram o seu papel social de servir as populações.
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