IX Congresso do MPLA: Militante José Carlos de Almeida manifesta intenção de candidatura e alerta para riscos de "exclusão"

O jurista e político José Carlos de Almeida tornou público a formalização, este domingo (28 de Abril), junto da Sede Nacional do MPLA, da sua intenção de se candidatar ao cargo de Presidente do partido. Em comunicado, o também escritor informou que recebeu a documentação estatutária e os modelos de subscrição, mas deixou alertas críticos à organização do processo eleitoral interno.


Embora tenha sublinhado o bom acolhimento por parte da Subcomissão de Candidaturas, José Carlos apontou lacunas no modelo de recolha de assinaturas que, na sua visão, podem dificultar o exercício democrático dentro do "M".

Um dos pontos mais sensíveis levantados pelo pretenso candidato prende-se com a exigência de que cada "Declaração de Apoio" seja preenchida integralmente pelo próprio apoiante. José Carlos de Almeida classifica esta norma como uma forma de exclusão.

"A Subcomissão esqueceu-se ou ignorou o facto de haver muitos militantes analfabetos e com deficiências visuais. Portanto, há claramente uma exclusão", criticou.

Para o jurista, a viabilidade de reunir as mais de 5.000 assinaturas necessárias em tempo útil depende de uma maior abertura das estruturas centrais e provinciais. Almeida defende que a Direcção do MPLA deve resolver com celeridade a emissão e entrega de cartões de militante e mobilizar as sedes provinciais e municipais para facilitar a recolha de assinaturas de suporte às candidaturas.

José Carlos de Almeida alertou que a pluralidade de candidaturas é essencial para a legitimidade do IX Congresso, tanto a nível nacional como internacional. O político defende que uma disputa com apenas um candidato poderá esvaziar o interesse pelo evento, levando convidados a declinarem a presença no que chamou de um "Congresso de Faz de Conta".

O Militante foi mais longe ao ligar o sucesso deste congresso às expectativas para as Eleições Gerais de 2027. "Se os membros do MPLA não agirem com lisura em relação aos seus próprios correligionários, como agirão em relação aos partidos da oposição?"*, questionou, sublinhando que qualquer suspeita de fraude na contagem interna terá um custo político elevado para a imagem do partido.

Com este passo, José Carlos de Almeida coloca a pressão sobre a Subcomissão de Candidaturas, numa altura em que o cronograma aponta o dia 25 de Outubro como o prazo limite para a formalização das listas.