Governo reforça vigilância eletrónica para travar vandalismo em torres de alta tensão

O Governo angolano anunciou a instalação estratégica de sistemas de videovigilância nas zonas mais críticas da rede elétrica, com especial foco na província de Luanda. A medida visa conter a crescente vaga de vandalização de infraestruturas que tem deixado milhares de famílias e empresas sem energia.


O anúncio foi feito pelo ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, nesta segunda-feira (13 de Abril), após a primeira sessão ordinária do Conselho Nacional de Águas. Segundo o governante, o objetivo dos atos de sabotagem é claro: "deixar as cidades às escuras".

Com uma rede que ultrapassa os 5.000 quilómetros de linhas, o ministro admitiu que a vigilância total é um desafio logístico complexo, especialmente em áreas remotas e de vegetação densa. Por isso, a estratégia será colocar tecnologia nos pontos sensíveis e contar com o apoio popular nas comunidades.

“O problema também é cultural. É preciso que haja responsabilização para desencorajar estes atos”, afirmou o ministro, apelando a uma maior celeridade judicial para acabar com o sentimento de impunidade.

Os danos mais recentes afectaram consumidores das províncias de Benguela e Cuanza-Sul, onde mais de 45 mil clientes da ENDE foram afetados.

Em Luanda, a situação agravou-se após as últimas chuvas, registando subida de número de torres derrubadas passando de duas para sete (cinco nos Mulenvos de Cima e duas no Zango).

João Baptista Borges explicou que muitas destas estruturas já estavam fragilizadas por furtos anteriores de peças metálicas, vindo a colapsar com a força das intempéries.

Apesar da gravidade, o Ministério assegura que o trabalho de reposição não para. Equipas técnicas estão mobilizadas em turnos contínuos para restabelecer o serviço num período de 48 a 72 horas, sempre que as condições permitirem.

Embora o levantamento financeiro total ainda esteja em curso, o ministro reiterou que o maior prejuízo não é o custo das torres, mas sim o impacto paralisante no comércio, na indústria e na vida das famílias angolanas.