Editorial: ETP Continua sem fôlego - Secretaria dos Transportes mostra debilidades no controlo ao sector privado


A crise na mobilidade urbana em Cabinda atingiu um ponto de saturação que expõe não apenas a insuficiência de meios, mas, fundamentalmente, uma crise de autoridade e gestão no sector dos transportes. Enquanto a Empresa de Transporte Público (ETP) permanece mergulhada num processo de revitalização que parece não ganhar o fôlego necessário para equilibrar a oferta, o sector privado dita as suas próprias regras à margem da legalidade.

A ausência da ETP nas ruas é o sintoma mais visível de uma empresa em "desmantelamento". Embora se fale em revitalização e alinhamento de ideias, a realidade operacional é de uma paralisia que deixa o Estado sem ferramentas para intervir diretamente no mercado. Sem uma frota pública robusta em circulação, o Governo Provincial torna-se refém de operadoras privadas que, cientes da sua "posição de força", ignoram as orientações oficiais.

É inaceitável que, após um encontro de acertos onde a governadora Suzana Abreu exigiu a retoma das rotas abandonadas pelas operadoras, passados alguns dias, continuamos a assistir o mesmo senário!

Também não se compreender que após o governo investir na formação de 207 funcionários e na instalação de servidores e internet para monitorização em tempo real, as operadoras privadas se sintam confortáveis para desativar os sistemas de bilhética eletrónica e monitoramento. Afinal, temos ou não um sector responsável pela fiscalização?

A denúncia feita pelo Secretário Provincial dos Transportes, José Custódio, sobre este "boicote" isolado é grave, mas revela também uma debilidade institucional: se a Secretaria possui a tecnologia para ver o incumprimento em tempo real, por que razão nunca houve sanções? E se já houveram, porque que não impediram o retrocesso (ou desaparecimento) do sistema GiraMais? 

A concentração excessiva de autocarros na zona do Pio, enquanto rotas fundamentais como São Pedro, Chiweca, Rua das Mangueiras e Amaro Taty continuam abandonadas, é um insulto ao governo e ao cidadão que espera horas por transporte. A justificativa de vandalismo apresentada pelos operadores não pode servir de "salvação" para o incumprimento do papel social que estas empresas assumiram ao assinar os protocolos de exploração. 

Será que as operadoras amortizaram toda dívida ao Estado por isso a demonstração da resistência à entidade que lhes distribuiu os meios, ou estamos somente diante de um cenário de falta de autoridade? Já é hora de se tomar uma posição que vai além de um encontro orientador e uma visita de constatação! 

Precisamos de uma Secretaria dos Transportes que exerça o poder de fiscalização com rigor e de uma ETP que saia finalmente do papel de "projecto de revitalização" para se tornar uma alternativa real nas estradas. Enquanto o alinhamento de ideias não se transformar em autocarros nas rotas exigidas, a mobilidade em Cabinda continuará a ser um privilégio de poucos e um sacrifício para muitos.

KUTUNGA MÍDIA - Informação que constrói.

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