Cabinda prepara introdução da línguas maternas nas escolas já no próximo ano lectivo

O Secretário Provincial da Cultura em Cabinda, Manuel Guilherme, anunciou avanços significativos no processo de implementação da língua local no currículo escolar da província. Numa entrevista exclusiva ao Kutunga Mídia, o governante garantiu que as discussões que atrasaram este projecto por mais de 10 anos foram ultrapassadas, prevendo-se que o ensaio oficial nas salas de aula possa arrancar já no próximo ano lectivo.


A estratégia assenta num "casamento institucional" entre as Secretarias da Cultura e da Educação, visando responder a um anseio antigo das comunidades locais e alinhar Cabinda com outras províncias, como Luanda e Huambo, onde o Kimbundu e o Umbundu já são aplicados.

Um dos maiores desafios era decidir qual das sete variantes do da língua nativa seria ensinada, dado o impasse histórico sobre esta questão. O Secretário sublinhou que as variantes permitem a mútua compreensão entre os falantes da província, mas que o projecto, vai numa primeira fase, focar-se no Iwoyo e Kiyombe, por serem as mais abrangentes.

Essa questão de variantes fez-nos perder muito tempo. O Umbundu e o Kimbundu já estão a ser aplicados e nós aqui ainda continuamos presos a situações que são ultrapassáveis.
A aplicação será feita de norte a sul, leste a oeste, superando a fragmentação que anteriormente impedia o consenso. "Então, que seja ao nível da parte norte para o sul, leste ou oeste da província, pode-se aplicar muito bem estas duas variantes", sublinhou o Secretário, apelando ao pragmatismo.

Enquanto a integração formal no currículo escolar não é concluída, a estratégia passa por actividades extracurriculares. O modelo sugerido é o de "aprender brincando", onde crianças começam por identificar partes do corpo humano e objectos quotidianos na língua materna.


🎙 Ouvir: Reportagem | Cardorel Mamata
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