SIC desmantela rede internacional de exploração sexual na "Cidade da China"

Numa operação de alta precisão realizada este domingo (22 de Março), o Serviço de Investigação Criminal (SIC) desmantelou uma complexa rede criminosa internacional dedicada ao tráfico de seres humanos e exploração sexual. A acção, coordenada pela Direcção Nacional de Combate ao Crime Organizado, resultou na detencção de 14 suspeitos e no resgate de 12 vítimas de nacionalidade estrangeira.


A operação teve como palco uma casa nocturna localizada no bairro Vila Sede, no interior da zona comercial conhecida como “Cidade da China”, no município de Viana. Entre os detidos figuram 11 cidadãos vietnamitas (incluindo duas mulheres), dois cidadãos chineses e um efectivo da Polícia Nacional de Angola, este último indiciado por conivência e protecção à rede.

De acordo com o porta-voz do SIC-Geral, o Comissário de Investigação Criminal Manuel Halaiwa, a rede operava um esquema estruturado de recrutamento no Vietname. As vítimas, com idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos, eram atraídas para Angola com promessas enganosas de emprego digno. As cidadãs entravam legalmente, algumas permanecendo no país há mais de quatro meses com Vistos de Turismo. Uma vez em território nacional, o cenário de exploração consolidava-se através de métodos coercivos, a rede retinha os documentos de viagem, impedindo qualquer tentativa de fuga ou regresso ao país de origem.

As vítimas eram coagidas à prática de lenocínio sob um sistema de metas financeiras. As investigações apuraram que as vítimas recebiam pagamentos mensais entre 400.000,00 e 500.000,00 AKZ. No entanto, estes valores estavam estritamente condicionados ao "desempenho" na actividade ilícita, servindo como uma ferramenta de controlo e exploração económica por parte dos cabecilhas. Os suspeitos enfrentam agora acusações graves, que incluem: Associação criminosa, tráfico ilícito de pessoas, exploração sexual organizada e lenocínio.

Este caso reacendeu o debate público sobre a eficácia da fiscalização migratória e a vigilância sobre estabelecimentos geridos por estrangeiros em zonas comerciais de grande fluxo. O envolvimento de um agente da autoridade na rede sublinha o desafio das instituições em purgar elementos que facilitam o crime transnacional.

O SIC assegurou que as diligências continuam para apurar o envolvimento de outros cúmplices e garantir o repatriamento seguro das cidadãs resgatadas, que se encontram sob protecção institucional.