Senegal: Presidente Bassirou Diomaye Faye oficializa coligação própria e sinaliza rutura com Ousmane Sonko
O cenário político do Senegal sofreu uma transformação profunda este sábado, 7 de março, com a realização da primeira assembleia geral da coligação "Diomaye Presidente".
Sob o lema "Conquistámos o poder com vocês, devemos exercê-lo com vocês", Faye discursou perante cerca de 500 apoiantes e 300 representantes locais. A estratégia passa por destacamento da coligação em todos os departamentos, comunas e aldeias do Senegal.
A criação desta base política autónoma é vista por analistas, como o Professor Moussa Diaw da Universidade Gaston-Berger, como a confirmação de uma rutura latente. Ousmane Sonko, mentor de Faye e figura central do Pastef, tinha recentemente descrito a relação no topo do executivo como uma "coabitação suave", uma expressão invulgar para membros do mesmo campo político.
Embora o Pastef não tenha sido atacado diretamente, a emersão da "Diomaye Presidente" redesenha as linhas de fidelidade. Faye procura apresentar-se como um "pilar de estabilidade" numa África Ocidental fustigada por golpes de Estado, distanciando-se da retórica mais radical que por vezes caracteriza a base do Primeiro-Ministro.
Desafios da Nova Configuração
A filosofia desta mudança foi resumida por Abdoulaye Tine, membro influente da coligação: "Uma coligação de conquista não é uma coligação de exercício". O objetivo imediato é blindar o mandato presidencial e criar uma base de apoio que responda diretamente ao Palácio Presidencial.
Resta saber como esta movimentação afetará a eficácia da governação e a paz social. Ousmane Sonko mantém uma influência predominante na "galáxia Pastef" e entre a juventude senegalesa. Os próximos meses serão decisivos para perceber se esta nova configuração política resultará num equilíbrio estável ou num agravamento das rivalidades no topo do Estado.
