Nova luz verde: Cabinda pode voltar a sonhar com energia proveniente da Barragem do Inga

O Presidente da República, João Lourenço, deu "luz verde" decisivo para um dos projetos energéticos mais aguardados da região norte do país. Através do Despacho Presidencial n.º 94/26, publicado a 20 de Março, foi autorizada a abertura de um concurso público internacional para a construção da linha de transporte de energia elétrica a 220 kV no troço Inga–Boma–Moanda–Cabinda.


Este projeto estratégico visa interligar a rede elétrica da República Democrática do Congo (RDC) à província de Cabinda, uma solução técnica que promete transformar o panorama socioeconómico da região que enfrenta limitações no fornecimento de energia elétrica, devido a dependência de centrais térmicas de alto custo e que nos últimos tempos têm apresentado limitações, forçando cortes e restrições aos clientes da ENDE.

A empreitada tutelada pelo Ministério da Energia e Águas será executada em quatro lotes distintos, abrangendo não apenas a linha de transporte, mas também as subestações associadas. Para garantir o rigor técnico da obra, o Chefe de Estado exarou igualmente o Despacho n.º 95/26, que autoriza um concurso limitado por prévia qualificação para a fiscalização dos Lotes 1 e 2.

Um detalhe relevante na nova legislação é a revogação do despacho anterior de 2021 (n.º 19/21). Esta decisão indica uma actualização na estratégia do Executivo, possivelmente para ajustar o prcojeto às novas realidades de mercado, custos de materiais e metas de integração regional da SADC.

Actualmente, Cabinda depende fortemente da produção local através de centrais térmicas, que além de serem poluentes, representam um encargo financeiro pesado em termos de combustível e manutenção. A interligação com o sistema do Inga permitirá; maior estabilidade, redução drástica dos cortes de energia, redução de custos e atração de investimentos, pois a energia fiável é o principal requisito para a industrialização da província.

A integração de Cabinda no sistema elétrico regional é vista como um passo fundamental para o desenvolvimento da economia local, alinhando-se com as estratégias locais que visam promover baixos custos de produção na indústria e construção civil.