Morte de Monteiro Eliseu: UNITA aponta doença, mas família levanta suspeita de envenenamento

O Grupo Parlamentar da UNITA confirmou o falecimento do deputado Monteiro Reinaldo Eliseu, de 47 anos, ocorrido na tarde deste domingo, 29 de Março, no Hospital Geral do Huambo. Embora a nota oficial do partido aponte "doença" como a causa da morte, declarações de familiares à comunicação social lançaram uma sombra de dúvida sobre o óbito, mencionando suspeitas de envenenamento.


Em comunicado assinado pela Presidente do Grupo Parlamentar, Albertina Navemba Ngolo, a direcção do partido expressou os mais sentidos pêsames à família e informou que estão a ser criadas comissões para definir o programa das exéquias em coordenação com a Assembleia Nacional. Monteiro Eliseu era representante do círculo eleitoral do Huambo e lembrado como um "defensor incansável da democracia".

A narrativa oficial foi confrontada por Bibi Monteiro, familiar do deputado, que em declarações à Rádio Correio da Kianda afirmou categoricamente: “É mesmo envenenamento como já tinha sido divulgado antes da sua morte”. Apesar de ainda não existirem provas periciais tornadas públicas, a suspeita familiar alimenta um debate aceso sobre a opacidade que rodeia a morte de figuras políticas em Angola.

O Correio da Kianda avança ainda que a morte de Monteiro Eliseu é um caso que reabre feridas no seio do principal partido da oposição. Nos últimos anos, a UNITA perdeu figuras de grande projecção, como: Victorino Nhany, Raul Danda, Vicente Vihemba e Diamantino Mussokola

A mesma fonte avança que para o cientista político Eurico Gonçalves, estas perdas sucessivas têm um impacto directo na coesão do partido e na própria democracia angolana, que necessita de instituições fortes e quadros experientes.

O país acompanha agora com atenção os próximos passos. A realização, ou não, de uma autópsia independente e a clareza na divulgação dos resultados serão determinantes para dissipar as especulações ou confirmar uma crise de segurança interna no tabuleiro político nacional. O legado de dedicação de Monteiro Eliseu permanece, mas o seu adeus deixa uma nuvem de interrogações que exige respostas urgentes das autoridades sanitárias e de investigação.